A espondilite anquilosante e a tuberculose antiga da coluna vertebral provocam frequentemente cifose. A primeira é uma cifose arredondada, que normalmente não é acompanhada de sintomas de compressão da medula espinal, enquanto a segunda é uma cifose angular, que é frequentemente acompanhada de sintomas de compressão da medula espinal. A tuberculose da coluna vertebral é uma doença comum no nosso departamento, pelo que é frequente encontrarmos doentes com cifose antiga da tuberculose da coluna vertebral, que é uma cifose angular e adequada para vertebrectomia total e cirurgia ortopédica (VCR). Com o desenvolvimento contínuo da técnica ortopédica de vertebrectomia total para o tratamento da cifose antiga da coluna vertebral por tuberculose no nosso departamento, também tratámos muitos doentes com cifose por espondilite anquilosante, que são adequados para osteotomia transforaminal (PSO). Os doentes com espondilite anquilosante grave têm um ângulo de cifose superior a 70 graus, não se conseguem deitar, têm dificuldade em andar e os doentes com anquilose da coluna cervical não conseguem olhar para baixo, o que afecta seriamente a qualidade de vida dos doentes. A utilização da osteotomia transpedicular de vértebra única para tratar doentes com cifose grave dificulta a obtenção de bons resultados ortopédicos e não consegue restabelecer o equilíbrio sagital da coluna vertebral. Só a osteotomia de vértebra dupla permite obter resultados satisfatórios, mas a osteotomia de vértebra dupla tem requisitos técnicos e riscos cirúrgicos mais elevados do que a osteotomia de vértebra única. Apresentamos de seguida dois casos típicos. Caso 1: Um doente do sexo masculino, de 33 anos de idade, deu entrada no hospital com uma deformidade em cifose dorsal desde há 18 anos, que se agravou desde há 3 anos. Ao exame, observou-se uma cifose grave e ambas as ancas estavam fletidas a 20° de deformidade. O doente não conseguia dormir deitado e tinha dificuldade em andar. As radiografias pré-operatórias mostravam um ângulo de cifose máximo de 101° em toda a coluna e luxações de fracturas antigas nas lombares 3 e 4. Realizámos uma osteotomia transpedicular da lombar 1 e 3, que decorreu sem problemas, e o ângulo máximo de cifose do doente era de 41°, corrigido em 60°, com uma taxa de correção de 60%. O doente voltou a andar e a dormir direito. Caso 2: Um doente do sexo masculino, de 27 anos, deu entrada no hospital com dor lombar com cifose há 2 anos. Ao exame, observou-se uma cifose grave. O doente não conseguia dormir e tinha dificuldade em andar. As radiografias pré-operatórias mostravam um ângulo de lordose máximo de 80° para toda a coluna vertebral. Realizámos uma osteotomia transpedicular da lombar 1 e 3, que decorreu sem problemas, e o ângulo máximo de cifose de toda a coluna era de 4°, que foi corrigido em 76°, com uma taxa de correção de 95%. O doente voltou a andar e a dormir direito.