Como são tratados os aneurismas cerebrais?

O aneurisma intracraniano é uma protrusão anormal e localizada de uma artéria cerebral, cuja rutura e hemorragia levando a uma hemorragia subaracnóidea é uma condição comum e catastrófica, com uma taxa de mortalidade que pode atingir os 50%, sendo a ressangramento a principal causa de morte em doentes com aneurismas. Atualmente, existem três opções clínicas para determinar a presença de aneurismas intracranianos e para descrever o tamanho e as características morfológicas do aneurisma: angiografia por TC com contraste intravenoso (ATC), angiografia por ressonância magnética (ARM) e angiografia direta por cateter, sendo esta última o padrão de ouro para o diagnóstico. Existem três opções de tratamento para os aneurismas cerebrais: observação, clampagem craniana e intervenção. Para um aneurisma que já rompeu e sangrou, a observação equivale a deixar uma bomba intempestiva no cérebro, que pode romper e sangrar novamente num curto espaço de tempo, resultando na morte ou na incapacidade do paciente. Por isso, a hemorragia subaracnóidea (HSA) espontânea deve ser tratada agressivamente com terapia cirúrgica, uma vez confirmada a rutura e o sangramento do aneurisma. O clampeamento do aneurisma é o tratamento clássico para os aneurismas, utilizado pela primeira vez em 1937, e salvou a vida de um grande número de doentes; no entanto, para alguns aneurismas (dependendo da localização e da morfologia do aneurisma), os riscos do clampeamento cirúrgico ultrapassam os possíveis benefícios. O ISAT é o único grande ensaio prospetivo e aleatório realizado até à data que compara técnicas cirúrgicas e endovasculares, e uma avaliação a um ano mostrou uma taxa de incapacidade significativamente mais elevada nos doentes cirúrgicos do que na fase endovascular. Atualmente, para além da embolização com molas helicoidais, a utilização de novos materiais e técnicas, como stents, balões, várias molas helicoidais modificadas, materiais embólicos líquidos e microcateteres duplos, também alargou as indicações para a intervenção nos aneurismas. O plano de tratamento ideal para os aneurismas intracranianos rotos e não rotos é atualmente inconclusivo, sendo importante ter em conta todos os factores que podem afetar o tratamento dos aneurismas intracranianos, tais como a localização do aneurisma, o seu volume, o estado do doente, a quantidade de hemorragia e a competência técnica dos médicos e hospitais.