A incidência e prevalência da doença de Crohn está hoje em dia a aumentar em todo o mundo. Nos últimos anos, tem havido provas de um aumento anual na incidência da doença de Crohn em todo o mundo. A incidência e prevalência da doença de Crohn parece estar a começar a estabilizar-se em áreas de elevada prevalência nos países ocidentais. Em contraste, a doença de Crohn tem vindo a aumentar anualmente em áreas de baixa prevalência, tais como a Ásia, o sul da Europa e a América do Sul. Um grande estudo populacional prospectivo sobre a prevalência da DII realizado na região Ásia-Pacífico mostrou que a China tem a maior prevalência da doença de Crohn na Ásia. Há duas razões para isto: uma é a crescente consciencialização da doença entre os clínicos e os pacientes. A doença de Crohn só foi conhecida pelos médicos chineses após cerca de 1970, pelo que não havia forma de a diagnosticar. No passado, muitos médicos desconheciam a existência desta doença e por isso eram incapazes de a diagnosticar quando confrontados com doentes com a doença de Crohn. À medida que as pessoas foram ficando cada vez mais preocupadas com a doença de Crohn, foram sendo diagnosticados cada vez mais doentes de Crohn. A segunda razão poderia ser a ocidentalização da dieta chinesa, com uma dieta rica em proteínas, baixa em fibras e uma ingestão crescente de produtos lácteos, daí o número crescente da doença de Crohn. Evidentemente, isto é apenas inferência, uma vez que a relação causal entre os hábitos alimentares e a doença de Crohn não é actualmente clara. O pico da incidência da doença de Crohn nos doentes ocorre entre os 15 e 40 anos de idade. Contudo, foi observada uma distribuição etária bimodal da incidência da doença de Crohn nas populações ocidentais, com um possível segundo pico de incidência entre os 50 e 80 anos de idade. Em contraste, na população da doença de Crohn asiática, não há distribuição etária bimodal na incidência da doença de Crohn, ou seja, a maioria dos pacientes com doença de Crohn na China tem entre 15 e 40 anos de idade. A razão da prevalência em pessoas mais jovens não é clara e pode dever-se à associação da doença com a dieta, herança genética e outros factores.