Como são tratados cirurgicamente os aneurismas complexos da circulação anterior

OBJECTIVO: Os aneurismas da circulação anterior com localização anatómica e estrutura aneurismática complexas, múltiplas ocorrências clínicas e dificuldade em determinar a responsabilidade pela rutura do aneurisma representam um desafio para o encerramento cirúrgico e para a estratégia cirúrgica. O tipo de modo e método de encerramento utilizados, bem como a estratégia de gestão de múltiplos aneurismas, podem afetar diretamente o prognóstico dos doentes e a forma de proceder ao encerramento eficaz destes aneurismas ou de escolher a estratégia terapêutica ideal continua a ser um problema clínico que necessita de ser explorado. MÉTODO: Classificámos os aneurismas complexos da circulação anterior rotos de acordo com a sua localização da seguinte forma: Aneurismas comunicantes posteriores complexos: localização anatómica: colo do aneurisma parcialmente coberto pelo processo do leito anterior; a artéria cerebral posterior só é visível quando a artéria carótida interna está do lado do corpo do aneurisma; estrutura do aneurisma: corpo do aneurisma grande com um colo largo (colo/corpo) de 1/1; microaneurisma, com a artéria suprarrenal excessivamente próxima da margem livre da copa; Aneurismas comunicantes anteriores complexos: colo superior posterior superior posterior, colo anormalmente fraco; ramo perfurante que emana do corpo do aneurisma; colo cobrindo toda a artéria comunicante anterior; A1 contralateral completamente rudimentar; aneurisma complexo do segmento do seio cavernoso; aneurisma grande e trombosado; aneurisma complexo da artéria oftálmica; aneurisma oculto sob a proeminência do leito anterior; aneurisma embutido na alça distal; e, no caso de aneurismas intracranianos múltiplos da artéria comunicante anterior rotos, dificuldade em determinar o aneurisma responsável pela rotura, que também é classificado como aneurisma complexo da artéria comunicante anterior. Tratamento, aneurisma de comunicação posterior complexo: o colo do aneurisma é coberto pela parte de protrusão do leito da remoção da protrusão do leito anterior, totalmente exposta as extremidades proximal e distal do colo do aneurisma, para a vantagem óbvia do fluxo sanguíneo do aneurisma da artéria de comunicação posterior, antes e depois do clampeamento do lado da comunicação posterior do fluxo sanguíneo não será afetado; o aneurisma carotídeo largo precisa usar uma combinação de técnicas de clampeamento para clampeamento efetivo, o manejo de micro-aneurismas precisa ser temporariamente bloqueado na situação do clampeamento. Se a artéria carótida interna do segmento supratentorial estiver demasiado próxima do bordo livre da cobertura, o espaço entre a artéria carótida interna e o nervo ótico deve ser totalmente utilizado para a clampagem. Os aneurismas complexos da artéria comunicante anterior que apontam posterior e superiormente são, na sua maioria, clampeados com clips heterotópicos, e aqueles com pescoços de aneurisma anormalmente fracos são isolados com a confirmação de uma A1 contralateral bem desenvolvida. Se o aneurisma tiver um ramo perfurante, o colo do aneurisma deve ser remodelado para evitar o ramo perfurante tanto quanto possível e, se o colo do aneurisma cobrir toda a comunicação anterior, deve ser clipado com clips transvasculares, sendo as técnicas endoscópicas intra-operatórias úteis para avaliar a situação de clipagem. Os aneurismas complexos da artéria média requerem uma combinação de técnicas de clampeamento para garantir que o fluxo da artéria média não seja comprometido. No caso de grandes aneurismas do segmento do seio cavernoso, é muitas vezes necessário um bypass + isolamento do aneurisma. No caso de aneurismas oftálmicos complexos com exposição da artéria carótida interna no pescoço, a técnica de escleroterapia com retalho anterior de cabeceira reduz a possibilidade de hemorragia durante a ablação anterior de cabeceira. No caso de aneurismas múltiplos intracranianos da circulação anterior, são utilizados os seguintes critérios para determinar o aneurisma responsável: local da hemorragia subaracnóidea, lado do vasoespasmo, forma do aneurisma e tamanho do aneurisma. No caso de aneurismas múltiplos não sindrómicos, para além de se considerar o aneurisma responsável pela hemorragia, é necessário considerar a possibilidade de clipagem cirúrgica numa única fase, que é determinada pelo local do aneurisma, pela ponta e pelo tamanho do aneurisma, e a reconstrução tridimensional pré-operatória do aneurisma tem de ser realizada por angio-TC ou ASD. No caso de aneurismas múltiplos no mesmo lado, a ordem de clipagem deve ser objeto de consideração. Resultados: 13 casos de aneurismas complexos da artéria comunicante posterior, 12 casos obtiveram clampagem cirúrgica, 1 caso apresentava colo aneurismático residual após clampagem; 10 casos de aneurismas complexos da artéria comunicante anterior, 8 casos obtiveram clampagem, 2 casos foram submetidos a isolamento da artéria comunicante anterior, e um deles produziu sintomas isquémicos; 2 casos de aneurismas da área do seio cavernoso, 1 caso foi isolado, 1 caso foi contornado, e o isolado produziu sintomas isquémicos; 4 casos de aneurismas arteriais oftálmicos foram todos obtidos com clampagem, e 16 casos de aneurismas múltiplos, 6 casos eram bilaterais, e 3 casos foram obtidos com aneurisma único. Em 16 casos de aneurismas múltiplos, 6 casos eram bilaterais e 3 casos foram obtidos com clampeamento único, 1 caso foi obtido com clampeamento por craniotomia bilateral em um estágio, 2 casos combinados com intervenção; 10 casos de aneurismas ipsilaterais foram todos clampeados em um estágio. Conclusão: No caso de aneurismas complexos da circulação anterior com rotura, a clampagem cirúrgica eficaz (isolamento do aneurisma da circulação e preservação dos vasos normais) através da escolha de pinças e métodos de clampagem adequados pode alcançar resultados clínicos satisfatórios, enquanto os aneurismas múltiplos que não podem ser totalmente clampados por uma única abordagem podem ser tratados com terapia interventiva combinada.