Resultados precoces da artroscopia da anca para o impacto femoroacetabular

Objetivo: Explorar a eficácia clínica precoce da cirurgia de artroscopia da anca para o impacto femoroacetabular. Métodos: Foram analisados retrospetivamente os dados clínicos de 32 doentes com impacto femoroacetabular (FAI) tratados por artroscopia da anca no nosso hospital entre maio de 2013 e setembro de 2014, dos quais 18 casos eram do sexo masculino e 14 do sexo feminino, com uma idade média de 37,6 anos (30-55 anos). Todos os doentes apresentavam dor típica na região inguinal com graus variáveis de restrição da flexão e rotação interna, sendo que alguns doentes eram acompanhados de sintomas de estalido e bloqueio da anca. As radiografias, a TC e a RM pré-operatórias de todos os doentes mostravam alterações semelhantes a cames na área da junção da cabeça e do colo do fémur, acompanhadas de danos no labrum acetabular. A osteoartrite da anca afetada foi classificada no pré-operatório utilizando os critérios de classificação de Tonnis, e todos os doentes apresentavam uma classificação de Tonnis ≤ grau 1. Todos os 32 doentes foram submetidos a artroscopia da anca. Foi utilizada anestesia geral e os doentes foram deitados numa cama de tração convencional para fracturas, com pilares perineais colocados no lado medial da raiz da coxa afetada, a articulação da anca abduzida a 20º, flectida a 10º e o pé posicionado de forma neutra e traccionado até que o espaço da articulação da anca fosse aberto e o sinal de vácuo aparecesse na visualização fluoroscópica da máquina de arco em C. Após a desinfeção de rotina e a limpeza com toalha, as abordagens póstero-lateral, anterolateral e anterior da artroscopia da anca foram utilizadas para explorar o compartimento central da articulação da anca, utilizando escopos de 70° e 30°, respetivamente, e avaliar exaustivamente o lábio acetabular, a cartilagem e a cartilagem da cabeça do fémur; se o lábio estivesse gravemente degenerado e não pudesse ser reparado, o lábio era limpo com uma plaina e uma faca de plasma; se fosse uma laceração reparável, era fechado com um prego de ancoragem sem nós BIORAPTOR. Libertar a tração, fletir a articulação da anca, entrar no compartimento periférico, localizar a deformidade da came na área da junção da cabeça e do colo do fémur sob observação microscópica combinada com fluoroscopia com braço em C e utilizar a rebarbadora para realizar a osteocondroplastia, fletir e rodar interna e externamente a articulação da anca durante a operação e reconfirmar a ausência de impacto ao microscópio. Nos doentes sem labrum suturado, foram utilizadas muletas duplas após a cirurgia e o membro afetado foi protegido contra a carga durante 4 semanas; nos doentes com labrum suturado, o membro afetado não suportou a carga durante 6 semanas após a cirurgia. Os exercícios de flexão e extensão da anca foram iniciados no segundo dia de pós-operatório. Registámos a ocorrência de complicações perioperatórias, utilizámos a pontuação de Harris e a pontuação VAS para avaliar a função e o nível de dor da articulação da anca dos doentes no pré-operatório e no seguimento, e comparámos as radiografias pré-operatórias com as radiografias no seguimento para observar a progressão da osteoartrite. Foi aplicado o software SPSS19.0 e utilizado o teste t emparelhado para a análise estatística, α<0,05. Resultados: Todos os 32 doentes foram seguidos e o tempo médio de seguimento foi de 9 meses (4-16 meses). O escore médio de Harris foi de 54,5 no pré-operatório e 85,9 no último acompanhamento, p<0,05. O escore médio da EVA foi de 57,9 no pré-operatório e 22,6 no último acompanhamento, p<0,05. Não houve complicações relevantes no período perioperatório. Não houve progressão da osteoartrite em todos os pacientes no pós-operatório. Conclusão: Através deste estudo verificámos que a utilização da artroscopia da anca no tratamento da IFA tem uma eficácia precoce satisfatória, pouco trauma cirúrgico e sem complicações cirúrgicas, pelo que é um método cirúrgico que merece ser promovido.