Mulheres grávidas com hipotiroidismo não tratado (tiróide baixa) dão à luz bebés com ligeiro atraso mental, mas os especialistas não concordam que isto justifique o rastreio de rotina de mulheres grávidas, de acordo com um novo estudo. O estudo foi conduzido pela Scarborough Blood Research Foundation em Maine para verificar se o hipotiroidismo não detectado ou inadequadamente tratado nas mães durante a gravidez estava associado a um baixo quociente de inteligência (QI) nos descendentes sem hipotiroidismo neonatal. Os investigadores mediram as concentrações séricas de hormonas estimulantes da tiróide em 25.216 mulheres grávidas entre 1987 e 1990. As crianças nascidas de mães com concentrações normais ou elevadas de hormonas da tiróide foram então testadas aos 7 a 9 anos de idade em 15 testes incluindo: inteligência, linguagem, atenção, desempenho escolar, capacidade de leitura e desempenho visuomotor. Não foram encontradas crianças no estudo que tivessem hipotiroidismo congénito. De acordo com o estudo, todas as crianças nascidas de mulheres com concentrações de hormonas estimulantes da tiróide iguais ou superiores ao percentil 98 tiveram notas baixas em todos os 15 testes do estudo. Estas crianças marcaram uma média de 4 pontos mais baixa na Escala de Inteligência para Crianças Weil Wechsler do que as 124 crianças nascidas para mulheres de controlo. Quinze por cento das crianças nascidas de mulheres com QI baixo tinham notas de QI iguais ou inferiores a 85. A situação foi pior para as 48 crianças nascidas de mulheres com baixa A não tratada durante a gravidez, que obtiveram uma média de sete pontos mais baixa na escala de QI do que o grupo de controlo, com 19% das crianças a terem uma pontuação inferior a 85. Os investigadores descobriram que das 62 mulheres com elevadas concentrações séricas de hormonas estimulantes da tiróide, apenas 15 foram diagnosticadas antes da gravidez e 14 destas foram tratadas durante a gravidez. 77% das mulheres com hipotiroidismo tinham elevadas concentrações séricas de anticorpos anti-tiróide peroxidase, sugerindo uma tiroidite autoimune crónica. Numa revisão que acompanha o New England Journal of Medicine, o Dr Robert Uriger, editor associado da revista, sugere que o custo do rastreio seria melhor gasto num esforço de toda a população para melhorar a função tiroideia através da redução da deficiência de iodo.