Em doentes com glioblastoma com idade inferior a 65 anos, mesmo com IDH selvagem, a excisão cirúrgica de 100% da porção com realce + pelo menos 90% da porção sem realce, seguida de radioterapia com temozolomida, proporciona uma sobrevivência mediana de aproximadamente 37,3 meses. A sobrevivência mediana foi de 14-16 meses com a ressecção apenas da porção com realce. A dica é cortar mais para beneficiar mais. Se tiver mais tempo, pode ler mais sobre este assunto: As directrizes actuais recomendam a remoção da porção com realce de um glioma de alto grau. Portanto, o padrão ouro para avaliar a extensão da ressecção é a ressonância magnética de realce dentro de 72 horas após a cirurgia. (O regime clássico utilizado para o tratamento adjuvante do glioblastoma após a cirurgia é o regime de Stupp (temozolomida com radioterapia). Este regime define a ressecção total como uma ressecção total da porção com realce na RM. Obteve-se uma sobrevida média do doente de 14-16 meses. O resultado do tratamento dos gliomas de alto grau tem sido, desde há muito, pessimista. Estudos básicos anteriores demonstraram que as células tumorais estão presentes em todas as áreas de sinal RM anormal (de facto, as células tumorais estão ainda presentes em áreas de sinal normal à volta da lesão). Será que a ressecção da porção não realçada do tumor, para além da ressecção da porção realçada, tem um melhor prognóstico? Um artigo recente do JAMA mostrou1 que, em doentes com menos de 65 anos com glioblastoma de tipo selvagem IDH, a ressecção cirúrgica de 100% da porção com realce + 90% da porção sem realce, complementada por radioterapia pós-operatória com temozolomida, resultou numa sobrevivência mediana de aproximadamente 37,3 meses. O ganho de sobrevivência foi independente do estado de metilação MGMT. Esta sobrevivência é consistente com o glioblastoma secundário do tipo mutante IDH. Foi significativamente melhor do que nos doentes a quem foi removida apenas a porção com realce. Dados anteriores confirmam que 90% dos glioblastomas são do tipo selvagem IDH (sem mutação IDH) e 10% são mutantes IDH. Isto significa que, num doente com glioblastoma, não se pode apostar na IDH e, basicamente, perder-se-á. Reflectindo a importância da ressecção alargada, é possível melhorar o prognóstico de um doente com IDH de tipo selvagem para ser comparável ao do tipo mutante IDH através de uma ressecção cirúrgica alargada. Somos levados a considerar a área de sinal anormal na RM (porção com realce + porção sem realce) como a área a ser ressecada nos gliomas de alto grau. Isto significa que se deve remover o maior número possível de áreas com sinal anómalo, tanto quanto for seguro. Na nossa prática clínica, são frequentemente as estruturas anatómicas (pontos de referência) que são removidas do tumor. Ambos melhoram a eficiência do procedimento e aumentam a extensão da ressecção.