Tratamento da esclerose múltipla recorrente-remitente

A aplicação de β-interferão (INF-β) no tratamento da esclerose múltipla recorrente-remitente (EMRR) obteve bons resultados. No entanto, a ausência de uma resposta eficaz à terapêutica com INF-β em quase um terço dos doentes, e mesmo o agravamento dos sintomas em alguns indivíduos após a terapêutica com INF-β, juntamente com o facto de o INF-β ser dispendioso e de ainda não ser clinicamente claro quais os doentes que apresentam taxas de recaída mais elevadas ou intervalos recaída-remissão mais curtos, tornam a escolha da terapêutica com INF-β confusa para alguns médicos. O trabalho de Robert Axtell et al. da Universidade de Stanford tenta ajudar-nos a resolver esta questão, centrando-se na resposta reguladora das citocinas envolvidas nas vias TH1 e TH17 ao tratamento com INF-β num modelo murino de encefalite autoimune experimental (EAE), bem como em doentes com EMRR, respetivamente. Os resultados revelaram que o INF-β foi capaz de aumentar a IL-10, aliviando assim a progressão das lesões murinas de EAE induzidas por TH1, pelo contrário, a aplicação de INF-β num modelo murino de EAE induzido por TH17 diminuiu os níveis de IL-17 e exacerbou os sintomas, e o estudo também sugeriu que o INF-β pode atuar através do recetor INF-gama; 26 doentes com EMRR que tinham sido tratados durante 12 meses com INF-β foram tratados com Um outro estudo de 28 citocinas séricas mostrou que os doentes que não responderam ao tratamento com INF-β apresentavam níveis séricos de IL-17 mais elevados do que os doentes que responderam bem. Os investigadores descobriram também que os doentes que não responderam tinham piores sintomas, doses mais elevadas de hormonas, mais recaídas e maior expressão endógena de INF-β do que os doentes que responderam bem. Com base nestes estudos, Axtell sugere que o INF-β e o TH17 podem trabalhar em conjunto para desempenhar um perigoso repertório de papéis numa série de doenças inflamatórias. O investigador espera levar a cabo ensaios clínicos alargados para verificar a importância do biomarcador IL-17 na capacidade de resposta do tratamento com INF-β em doentes com esclerose múltipla recorrente-remitente, de modo a que possa ser direcionado para determinar um plano de tratamento individualizado para os doentes. Sugere-se que, no processo clínico de aplicação do interferão-β para o tratamento da esclerose múltipla recorrente-remitente na China, seja possível detetar os níveis de citocinas, incluindo a IL-17, observar a evolução da doença e acumular dados relevantes com base na população nacional, o que se crê poder melhorar o nível da nossa compreensão do valor terapêutico do INF-β para a esclerose múltipla, entre outras coisas.