A anastomótica é uma condição pós-operatória comum no esófago. Após a esofagectomia, o esófago precisa de ser reconectado ao estômago, cólon ou intestino delgado para que a integridade do tracto digestivo possa ser restaurada. O esófago gástrico é a ligação mais comum, uma vez que o estômago tem o melhor fornecimento de sangue e é simples de operar, com uma elevada taxa de sucesso. Contudo, a hipótese de anastomose é significativamente maior após uma anastomose esofagogástrica do que após uma anastomose intestino-a-intestina. Porque é que isto acontece? Isto porque 1) o esófago é menos expansível do que o intestino e 2) mais importante, o esófago é responsável pela deglutição e os alimentos movem-se activa e rapidamente por esta secção do tracto digestivo, enquanto que depois do estômago se move lenta e passivamente, pelo que a sensação de “estricção” é mais pronunciada na fase esofágica. Com que frequência ocorre a anastomose após a cirurgia do cancro do esófago? A incidência é geralmente relatada entre 15% e 40%, mas os resultados no nosso hospital são ligeiramente melhores, com cerca de 10%. A definição de estrictura anastomótica é vaga e não existe uma escala uniforme para a medir. Algumas pessoas classificam-no pelo tipo de alimento que comem, por exemplo, se não conseguem comer um alimento comum (como o arroz), definem-no como estenose, outras medem-no pelo facto de o gastroscópio ser passível de passagem. Em qualquer caso, penso que o sentimento subjectivo do paciente de comer é o mais importante. As estrangulamentos anastomóticos são inevitáveis, mas só recentemente utilizámos as técnicas mais avançadas de anastomose end-lateral e anastomose posterior lateral + anterior end-lateral, que reduziram a incidência de estrangulamentos anastomóticos. A estenose deve ser tratada precocemente quando ocorre. A estenose anastomótica pode aparecer logo nas 4 semanas de pós-operatório e é mais evidente sobretudo aos 3 meses. Quanto mais precoce for a intervenção de dilatação, mais melhorias podem ser conseguidas no mais curto espaço de tempo possível. A dilatação de estrangulamentos anastomóticos requer normalmente 4-6 sessões de dilatação consecutivas, cada uma com 1-2 semanas de intervalo. Na grande maioria dos pacientes, consegue-se uma melhoria.