A mutação IDH-R132H é um novo alvo para a imunoterapia de gliomas de baixo grau

As mutações IDH são um tipo comum de mutação genética nos gliomas de baixo grau e podem ser um local potencial para encontrar alvos imunoterapêuticos. Entre estas, as mutações IDH-R132H tendem a ocorrer em gliomas de baixo grau. Serena Pellegatta et al., do Instituto de Neuro-Oncologia Molecular da Fundação de Neuro-Oncologia de Milão, Itália, realizaram um estudo sobre a intervenção imunodireccionada da mutação IDH-R132H num modelo de glioma de ratinho, tendo os resultados sido publicados na edição de janeiro de 2015 da revista Ata Neuropathol Commun. Os autores transfectaram o gene da mutação R132H para uma linha celular de glioma de rato GL261 para construir células mIDH1-GL261. Experiências in vitro mostraram que as linhas celulares GL261 e mIDH1-GL261 tinham morfologia celular diferente, mas taxas de proliferação semelhantes. Num modelo de glioma de ratinho, a ressonância magnética revelou que os tumores da linha celular mIDH1-GL261 cresciam mais lentamente do que os da GL261, mas a sobrevivência global era semelhante nos ratinhos portadores de tumores. A MRS e a LC-MS/MS confirmaram que os tumores da linha celular mIDH1-GL261 expressavam R132H e 2-HG. Os autores criaram uma vacina peptídica associada à mutação IDH para investigar a orientação dos tumores mutantes IDH- R132H. Verificou-se que a imunoterapia com a vacina de péptido IDH mutante resultou numa sobrevivência mais longa dos ratinhos portadores de tumores do que a dos ratinhos portadores de tumores de controlo. Foram detectadas células T CD8-positivas, elevada expressão de IFN-γ e anticorpos mutantes IDH nos tecidos tumorais tratados com imunoterapia. A imunoterapia resultou numa regulação positiva intratumoral de IFN-γ, granzima-b e perforina-1, e numa regulação negativa de TGF-β2 e IL-10. O estudo determinou de forma conclusiva que 25% dos ratinhos portadores de tumores da linha celular mIDH1-GL261 tratados com imunoterapia dirigida ao local da mutação IDH-R132H foram capazes de induzir eficazmente o sistema imunitário a atacar as células tumorais, o que resultou numa melhoria das taxas de sobrevivência e de cura. Isto resultou numa melhoria das taxas de sobrevivência e de cura nos ratinhos portadores de tumores. Por conseguinte, os autores sugerem que a terapia imunológica dirigida aos gliomas de baixo grau com mutações IDH tem uma aplicação clínica potencial.