A diabetes é a principal doença subjacente que causa a doença renal em fase terminal (DRIS), e a nefropatia diabética tem sido um tema quente de discussão clínica. No entanto, a patogénese da nefropatia diabética ainda não é clara, pelo que existem muitas controvérsias no diagnóstico e tratamento. A falta de critérios de diagnóstico uniformes para a nefropatia diabética levou a diagnósticos clínicos errados frequentes. Estudos de biopsia renal revelaram que uma grande proporção de doentes diagnosticados com nefropatia diabética está provada não ter nefropatia diabética. Antes de fazer um diagnóstico diferencial, vamos rever alguns conceitos comuns de nefropatia diabética: diabeticnefropatia (DN), nefropatia diabética (DKD) e doença renal crónica (CKD). Nefropatia diabética (DN): A hiperglicemia crónica pode envolver todas as estruturas do rim e pode ter diferentes alterações patológicas e manifestações clínicas, incluindo principalmente glomerulosclerose, pequena arteriosclerose renal e necrose papilar renal, enquanto que o DN se refere geralmente à glomerulosclerose, e o diagnóstico clínico é geralmente baseado na microalbuminúria como o diagnóstico precoce. Diabetic Kidney Disease (DKD): proposto pela primeira vez como diagnóstico clínico em 2007 pelas Clinical Practice Guidelines for Diabetes and Chronic Kidney Disease desenvolvidas pela National Kidney Foundation (NKF). DKD deve ser considerada na presença de qualquer uma das seguintes: proteinúria maciça; microalbuminúria em combinação com retinopatia diabética ou diabetes mellitus tipo 1 com mais de 10 anos de duração. Doença Renal Crónica (CKD): O conceito, encenação e avaliação da CKD foi formalizado nas Directrizes de Prática Clínica para a Doença Renal Crónica (K/QODI) em 2002. A sua encenação é dividida em fases 1-5 dependendo do nível de GFR. A definição é clara e a encenação é clara. A partir do conceito e definição dos três conceitos, o DN centra-se nas alterações patológicas, enfatizando a glomerulosclerose e a série de manifestações que a acompanham; o DKD é um diagnóstico clínico, centrando-se mais na proteinúria; e o CKD é uma lesão renal em sentido lato. Devido às diferentes definições dos três, a prevalência varia muito. Estudos demonstraram que a proporção de diabéticos americanos do tipo 2 com CKD combinado ≥20 anos é de 40%, enquanto que na China, a proporção de diabéticos do tipo 2 com CKD combinado ≥30 anos é de até 64%. A prevalência de DKD em doentes diabéticos do tipo 2 na China é de cerca de 28,3%, enquanto a prevalência de DN é de apenas 16,7% e a de nefropatia não diabética é de 36,7%, o que é muito superior à de DN. Além disso, verificou-se que a proporção de doentes diagnosticados com DN que foram diagnosticados com nefropatia não diabética após biopsia renal variou entre 9% e 85%, com uma média de 34,8%. Portanto, face aos doentes com diabetes mellitus com CKD, a possibilidade de nefropatia não diabética deve ser considerada, para além do DN.