12 de março de 2015 | Genebra – A OMS publicou hoje as suas primeiras orientações para o tratamento da hepatite B crónica. As orientações baseiam-se na experiência da OMS no tratamento da hepatite B crónica. A hepatite B crónica é uma infeção viral transmitida através do sangue e dos fluidos corporais que danifica o fígado e causa cerca de 650.000 mortes por ano, a maioria das quais em países de baixo e médio rendimento. A nível mundial, cerca de 240 milhões de pessoas vivem com o vírus da hepatite B crónica, com a maior prevalência de infeção em África e na Ásia. As pessoas com infeção crónica por hepatite B correm um maior risco de morrer de cirrose e cancro do fígado. Existem medicamentos eficazes para prevenir estas doenças e, assim, prolongar as suas vidas, mas a maioria das pessoas que necessitam desses medicamentos não tem acesso a eles ou só pode receber tratamento não normalizado. Uma das razões para esta situação é a falta de orientações claras e baseadas em provas para os países, especialmente os países de baixo e médio rendimento, sobre quem deve ser tratado e que medicamentos devem ser utilizados. “Determinar quem precisa de receber tratamento para a hepatite B depende de uma série de factores”, disse o Dr. Stefan Wiktor, chefe da programação global da OMS para a hepatite. “Estas novas directrizes fornecem recomendações de tratamento baseadas em testes fáceis e pouco dispendiosos, que ajudarão os médicos a tomar a decisão certa.” As Directrizes da OMS para a Prevenção, Cuidados e Tratamento da Infeção Crónica por Hepatite B apresentam abordagens simplificadas a utilizar no tratamento de pessoas com infeção crónica por hepatite B, particularmente em contextos de recursos limitados. Este documento de orientação abrange todos os elementos do tratamento, desde a determinação de quem precisa de ser tratado, até aos medicamentos a utilizar e à forma de monitorizar as pessoas infectadas ao longo do tempo. As principais recomendações são: utilizar vários testes simples e não invasivos para avaliar o estadiamento da doença hepática e ajudar a determinar quem precisa de ser tratado; dar prioridade ao tratamento de pessoas com cirrose – a fase mais avançada da doença hepática; utilizar tenofovir ou entecavir, dois medicamentos seguros e altamente eficazes, para tratar a hepatite B crónica; e utilizar a deteção precoce do cancro do fígado para tratar o cancro crónico do fígado. Monitorização regular através de testes simples de deteção precoce do cancro do fígado para avaliar se o tratamento está a resultar e se deve ser interrompido. As necessidades específicas de populações específicas, como as pessoas co-infectadas com o VIH, as crianças e adolescentes e as mulheres grávidas, também foram tidas em conta. Muitos países têm agora acesso a dois medicamentos genéricos recomendados, que são relativamente baratos, custando apenas 5 dólares por pessoa e por mês. “Uma vez que, para muitas pessoas, é necessário um tratamento para toda a vida, é importante que os doentes tenham acesso a estes medicamentos ao preço mais baixo possível”. afirmou o Dr. Wiktor. Vários países já começaram a desenvolver o planeamento do tratamento da hepatite B, e este último lançamento também traz orientações sobre como organizar os serviços de cuidados e tratamento da hepatite. “Por exemplo, os países precisam de considerar as modalidades utilizadas para melhorar o acesso aos medicamentos e a melhor forma de prestar cuidados de alta qualidade com base nos serviços e pessoal de saúde existentes”, disse a Dra. Philippa Easterbrook, do Programa Global de Hepatite da OMS. Para as pessoas já infectadas com hepatite B, o tratamento pode prolongar as suas vidas, mas é igualmente importante concentrar-se na prevenção de novas infecções. A OMS recomenda que todas as crianças sejam vacinadas contra a hepatite B, recebendo a primeira dose da vacina à nascença. A imunização infantil universal, especialmente em alguns países da Ásia, já reduziu a incidência da infeção por hepatite B na infância. O desafio atual é aumentar continuamente os esforços para garantir que todas as crianças do mundo estejam protegidas contra o vírus. Outra via de infeção é a reutilização de equipamento médico, especialmente seringas. A OMS lançou recentemente uma nova política sobre a segurança das injecções que também ajudará a prevenir novas infecções por hepatite B. A política apela à utilização de seringas “inteligentes” em todo o mundo para evitar a reutilização de seringas ou agulhas. As novas directrizes para o tratamento da hepatite B vêm no seguimento das primeiras directrizes da OMS para o tratamento da hepatite C, publicadas no ano passado. Nota aos editores Os medicamentos de eleição recomendados nas directrizes são o tenofovir e o entecavir. Estes medicamentos têm um baixo risco de resistência, são fáceis de tomar – apenas um comprimido por dia – e têm efeitos secundários mínimos. Ambos os medicamentos estão disponíveis em versão genérica e o tenofovir também pode ser utilizado para tratar o VIH. A OMS recomenda dois testes não invasivos para avaliar o estadiamento da doença hepática e ajudar a determinar quem precisa de ser tratado. Um deles baseia-se numa análise ao sangue (índice APRIC de aspartato aminotransferase [AST] para o rácio de plaquetas) e o outro é um ensaio baseado em exames (elastografia transitória, como o FibroScan).