Depois de ler o relatório do artigo que se segue, é realmente de admirar a pregação do velho patriarca sobre o caminho do meio e a paz de espírito. Um artigo recente no European Journal of Cardiology, uma prestigiada revista na área da medicina cardiovascular, refere que o consumo moderado de álcool tem o potencial de reduzir o risco de insuficiência cardíaca em pessoas de meia-idade. Os investigadores recolheram cerca de 14.000 pessoas, com idades compreendidas entre os 45 e os 64 anos (média de 54 anos), em quatro regiões dos Estados Unidos, entre 1987 e 1989. O estudo considerou 14 gramas de álcool por dia como consumo moderado, abstendo-se de álcool ou mais do que uma certa quantidade como inadequado. 14 gramas de álcool equivalem a meia taça de vinho branco alto, 355 ml de cerveja e vinho tinto, que pode calcular por si próprio. Após 24 anos de acompanhamento, verificou-se que o risco de insuficiência cardíaca entre os consumidores moderados de álcool diminuiu 16% nas mulheres e 20% nos homens. Os comentadores sugeriram que beber uma pequena quantidade de vinho tinto ao jantar, com moderação, é bom para a saúde. É claro que, como se trata apenas de um estudo observacional, a ciência não é perfeita, mas, com base nos resultados acima, é absolutamente verdade que é preciso fazer tudo com moderação. Beber indiscriminadamente no dia a dia não vai acabar bem e pode levar a um aumento da incidência de muitos tipos de tumores. O artigo analisa que as pessoas que se abstêm de álcool podem já estar a sofrer complicações mais graves devido ao seu consumo, como doenças gastrointestinais e diabetes. Por exemplo, os dois doentes que vi este mês eram ambos consumidores noturnos de álcool em excesso, o que lhes provocava diabetes, doenças renais e tensão arterial elevada. É claro que ambos deixaram de beber, mas já era um pouco tarde. Em suma, devemos deixar de beber com moderação e não nos embebedarmos todos os dias. O meio termo e a calma são o rei da saúde.