Atualmente, cada vez mais pais se apercebem da importância da comunicação entre pais e filhos. No entanto, muitas das palavras que saem da nossa boca quando estamos perante os nossos filhos conduzem a uma comunicação cada vez mais difícil com eles, e até a um fogo cada vez maior entre nós! Como é que podemos falar ao coração dos nossos filhos? Caso 1: A criança voltou da escola, viu a mãe a cozinhar e disse: “Mãe, quando saí da aula de ginástica, a minha luva de basebol desapareceu”. Forma errada de comunicar: Enquanto fritava, a mãe disse: “O que é que se passa, foste ao recreio procurá-la? Foste aos perdidos e achados? Contaste à tua professora? A criança explica: “Pu-la ao lado da minha mochila e, num instante, desapareceu ……”. A mãe ouve isto e começa a falar amavelmente: “Quantas vezes já te disse para teres cuidado com as tuas coisas, tu perdes sempre! ” A criança diz com raiva: “Mãe, pára com isso!” “Estou a falar de ti para que te lembres!” A forma correcta de comunicar: A mãe, enquanto cozinha, levanta a orelha e responde: “Oh ……” A criança continua: “Pus ao pé da minha mochila”. Ponho-o ao pé da minha mochila”. A mãe continua a cozinhar, inclinando-se ligeiramente para o lado em direção à criança: “Oh, certo”. “Tinha medo de o perder e esmaguei-o com a minha mochila. Porque é que não pergunto ao avô que vai ao ginásio amanhã, talvez ele o vá buscar? A mãe responde imediatamente: “Bem, acho que podemos tentar”. SUGESTÃO DE COMPETÊNCIA DE COMUNICAÇÃO: Ao comunicar com uma criança, os pais devem começar por dar toda a sua atenção à escuta. Quando há algo na mesa sobre o qual não conseguem parar de falar, usem um simples “Oh, oh, sim? É verdade”. A criança sentir-se-á imediatamente notada. Durante a conversa, ela já pode organizar os seus pensamentos e até começar a procurar algumas soluções. Não perdemos a oportunidade de comunicar com o nosso filho por causa da “duplicidade de ideias”. Caso 2: A minha filha disse ao meu pai, frustrada: “A Niu Niu mudou de escola hoje, foi para uma escola internacional.” Forma errada de comunicação: O pai disse: “Oh, não faz mal, ainda há muitos alunos na tua turma”. “Não, ela é a minha melhor amiga. A filha começa a ficar chateada. “Em breve terás uma nova melhor amiga.” O pai continua a tentar confortar a filha. Mas a filha não conseguia ficar feliz. Porque é que quanto mais dizemos que está tudo bem e que está tudo bem, mais a criança fica chateada? A forma correcta de comunicar: O pai diz com simpatia: “Estás triste por a tua melhor amiga ter mudado de escola de repente, não estás?” “Sim, ela é a minha melhor amiga da turma!” O pai prossegue com: “Eu sei, vocês são muito chegados. Saem da escola juntas todos os dias e vão juntas para as aulas de inglês”. A filha também disse: “Sim. Parece que, a partir de agora, só a vou ver quando estiver na aula de aconselhamento”. O pai acenou com a cabeça: “Sim, vocês ainda podem estudar inglês juntas.” A filha diz com um pouco de entusiasmo: “Isso também é bom, vou ouvi-la contar-me como é uma escola internacional e ver se o inglês dela melhora.” Sugestão de Competências de Comunicação: As crianças podem ser verdadeiramente confortadas quando são tratadas com respeito como indivíduos, quando não impõem a sua vontade aos filhos e quando são capazes de sentir os seus sentimentos e até de os descrever em resposta. Caso 3: O filho implora à mãe: “Mãe, eu também quero um telemóvel”. Forma errada de comunicar: A mãe responde: “Os miúdos não precisam de telemóveis!” “O Lei Lei da nossa turma tem um!” “Isso é porque a casa dele é longe da escola e a mãe usa-o para o contactar”. Sem esperar que o filho falasse, a mãe acrescentou: “Se tiveres um telemóvel, vais jogar jogos, o que é mau para os teus olhos e não é permitido na escola”. O filho não cedeu: “Quero-o, quero-o!” “Pára de discutir, isto não é negociável.” O filho zangou-se: “Mãe, és tão chata!” A mãe também se zangou: “Isso é maneira de falar com um adulto?” A forma correcta de comunicar: a mãe pega na mão da criança e pergunta-lhe gentilmente: “Queres um telemóvel?” O meu filho disse timidamente: “O Lei Lei da nossa turma tem um, eu também quero um”. A mãe respondeu: “Sim, seria muito fixe ter um telemóvel na mão”. O meu filho percebeu logo: “Sim, há muitos jogos nele”. A mãe disse: “Oh, há muitos jogos, se ao menos esses jogos pudessem ser jogados sem magoar os olhos e o professor não dissesse nada. Seria bom se o ecrã fosse tão grande como a nossa televisão, e se aumentasse quando dissesse que aumentaria, e depois diminuísse quando dissesse que diminuiria, e depois coubesse no bolso.” “Mãe, quando eu for um inventor, vou inventar isto.” A mente do filho já estava a trabalhar na sua nova invenção. “Esquece, por agora não quero o telemóvel, o do Ming Ming foi confiscado pela professora.” Sugestão de competências de comunicação: Quando uma criança faz algumas exigências “despropositadas”, não devemos apressar-nos a estabelecer regras, argumentando ou mesmo rejeitando-as verbalmente. Pelo contrário, se conseguirmos satisfazer o desejo da criança e distraí-la com fantasias ou descrições exageradas, será mais fácil para ela enfrentar a realidade quando sentir que ganhou a compreensão dos pais. Dicas Os sentimentos estão diretamente relacionados com o comportamento. Quando uma criança tem bons sentimentos, terá um bom comportamento. Por isso, se quiser que o seu filho se comporte bem, é necessário que os pais aprendam competências de comunicação e, em primeiro lugar, aprendam a aceitar os sentimentos do seu filho. Muitos pais lidam com os seus filhos de forma superficial porque estão ocupados, ignorando o facto de que as pequenas coisas com que normalmente lidam são o trabalho mais importante na construção da relação pais-filhos.