A histerectomia cónica (conização) é um procedimento em que uma parte do colo do útero é removida em forma cónica de fora para dentro. De acordo com a opinião autorizada, o número de excisões cónicas realizadas num hospital pode reflectir de certa forma o seu nível de tratamento do cancro do colo do útero. Mas algumas doentes não compreendem, pensando que, se vai transformar-se em cancro, porque não cortar o útero, para quê sofrer duas vezes? Mas isso não pode ser feito, pelo menos por duas razões: 1. O facto de se chamar lesão pré-cancerosa significa que, afinal, não é cancerosa. O que acontece é que, se não for tratada, tornar-se-á cancerosa ao fim de algum tempo (3 a 8 anos, em média). Além disso, as “lesões do colo do útero” continuam a ser um problema do próprio “colo do útero”, a não ser que evoluam para um cancro avançado do colo do útero, que normalmente não prejudica o útero. Por conseguinte, na maioria dos casos, a conização é suficiente e não há necessidade de remover o útero. Em mulheres jovens com lesões pré-cancerosas do colo do útero, a remoção do útero seria um tratamento excessivo! 2. para certos cancros do colo do útero em fase inicial (o termo técnico para isto é estádio IA1, IA2 ou IB1). Se for realizada uma histerectomia directa e se verificar que se trata de um cancro do colo do útero em estádio IA1, terá, naturalmente, muita sorte, pois uma histerectomia total é o ideal. Mas se, infelizmente, se tratar de um cancro do colo do útero de estádio IA2 ou IB1, então é um problema. Neste caso, a histerectomia por si só não é suficiente, mas também deve ser removido algum tecido junto ao útero (ou seja, histerectomia alargada). Nesta altura, é muito difícil efectuar outras intervenções cirúrgicas de correcção e é muito fácil de danificar. Por conseguinte, para as pacientes com um diagnóstico de biópsia colposcópica de neoplasia intra-epitelial cervical (ou seja, NIC) de grau 2-3, a conização é normalmente necessária para uma avaliação completa ou como tratamento. Nos casos em que a biópsia colposcópica revela carcinoma in situ, não se exclui a possibilidade de infiltração ou a profundidade da infiltração não é clara, é ainda mais importante determinar a profundidade da infiltração através da conização.