Despistagem da acumulação excessiva de ácido lático

A hipoperfusão tecidual causada pela hipotensão prolongada e pela redução do débito cardíaco resulta em hipóxia tecidual e aumento do metabolismo anaeróbico, produzindo acúmulo de ácido lático. A estase no sistema visceral e na veia cava inferior também leva à hipóxia nessa parte do tecido e ao aumento da produção de ácido lático. Durante a hipoxia, há também uma grande acumulação de ácido lático no trato gastrointestinal, que é exacerbada pela abertura da veia cava inferior e pelo seu regresso à circulação corporal com fluxo sanguíneo. Também pode haver produção e acumulação de lactato no fígado do dador durante a hipotermia e a hipoxia durante a preservação. O fígado e os rins são os principais locais de remoção do lactato, sendo o miocárdio o outro órgão principal de eliminação do lactato. A falta de metabolismo do lactato durante o período anafilático, juntamente com a capacidade reduzida dos rins para metabolizar o lactato devido a uma perfusão sanguínea inadequada, conduz inevitavelmente à acumulação de lactato. É importante notar que a acidose láctica pode, por vezes, ser acompanhada de cetoacidose e de coma hiperglicémico não-cetótico hipertónico, o que aumenta a complexidade do diagnóstico. O diagnóstico de acidose láctica pode ser efectuado sem uma medição do lactato sanguíneo na presença de acidose em estado de choque, mas na acidose sem má perfusão tecidular, é necessário um nível de lactato sanguíneo para confirmar o diagnóstico. Os pontos-chave no diagnóstico da acidose láctica diabética são: 1. diabetes mellitus, mas a maioria dos doentes não é muito hiperglicémica e não tem cetoacidose significativa. 2. um nível de lactato sanguíneo significativamente elevado, maioritariamente acima de 5 mmol/L, é a principal base para o diagnóstico de acidose láctica. Níveis de lactato sanguíneo acima do normal (>1,8 mmol/L), entre 2-5 mmol/L, são maioritariamente acidose compensatória. Esta é diagnosticada como hiperlactatemia nas pessoas que apenas apresentam lactato excessivo sem acidose. 3. evidência de acidose, como pH <7,35, bicarbonato sanguíneo <20mmol/L, anion gap >18mmol/L etc. A acidose láctica diabética pode ser confirmada se puderem ser excluídos diagnósticos como a cetoacidose e a insuficiência renal, combinados com um nível de lactato sanguíneo significativamente elevado.