Um diagnóstico de neoplasia intra-epitelial cervical (i.e. NIC) grau 3 em biopsia colposcópica multiponto não é necessariamente um diagnóstico no sentido patológico final. Tecnicamente, uma biopsia colposcópica multiponto não define completamente a extensão e profundidade da lesão cervical e é necessária uma avaliação completa por conização. Clinicamente, alguns pacientes com NIC3 estão relutantes em submeter-se à conização, preferindo submeter-se à histerectomia directa na convicção de que esta será menos dolorosa e menos dispendiosa. De facto, se a histerectomia for apressada sem conização, o âmbito da cirurgia é o adequado para o cancro do colo do útero in situ, estágio IA1 no cancro do colo do útero precoce. Contudo, em pacientes com diagnóstico patológico de fase IA2 ou IB1, a histerectomia por si só é claramente inadequada. Os pacientes com fase IA2 ou IB1 precisam de ser submetidos a uma histerectomia prolongada, que requer a remoção de algum tecido parametrial. Por esta razão, a biopsia cervical colposcópica para CIN3 requer primeiro uma histerectomia cónica (conização) e, com base nos achados patológicos da conização, a etapa seguinte do plano de tratamento. Só então se poderá assegurar o âmbito correcto e apropriado do procedimento. CIN3 é uma lesão pré-cancerosa com potencial para evoluir para cancro do colo do útero e precisa de ser tratada de forma agressiva. No Reino Unido, foram diagnosticados 10 vezes mais pacientes com CIN3 (incluindo carcinoma in situ) do que com carcinoma invasivo em 2003. A maioria dos cancros invasivos não se desenvolvem e são diagnosticados e geridos na fase pré-cancerosa, particularmente no CIN3, salvando a vida de muitas mulheres. Portanto, o CIN3, embora seja uma lesão pré-cancerosa, ainda precisa de ser tratado de forma agressiva. Nos casos em que a biopsia colposcópica relata carcinoma in situ, nenhuma infiltração é excluída ou a profundidade da infiltração não é clara, também é necessária a conização para determinar a profundidade da infiltração.