O uso de drogas anti-epilépticas em mulheres grávidas com epilepsia aumenta o risco de aborto espontâneo?

  A epilepsia é a condição neurológica mais comum, que requer tratamento durante a gravidez, e o risco de epilepsia deve ser ponderado contra o risco de efeitos secundários da droga ao tratá-la.  O uso de drogas anti-epilépticas durante a gravidez tem sido associado a complicações na gravidez, incluindo pré-eclâmpsia, hemorragia, parto prematuro, retardamento do crescimento intra-uterino e malformações. No entanto, a relação entre drogas anti-epilépticas e aborto espontâneo ou nado-morto não é conhecida.  Por conseguinte, investigadores da Universidade de Aarhus conduziram um estudo de coorte de base populacional para investigar a associação entre o uso de drogas anti-epilépticas durante a gravidez e o aborto espontâneo ou natimorto. Os resultados do estudo foram publicados na edição de 22 de Agosto do BMJ. Foi incluído no estudo um total de 983.305 mulheres grávidas do Registo de Nascimento Médico Dinamarquês e do Registo Nacional de Alta Hospitalar Dinamarquês entre Fevereiro de 1997 e Dezembro de 2008, e foram obtidas informações sobre o uso de drogas anti-epilépticas através do Registo de Consumo de Drogas Dinamarquês. Os rácios de risco de aborto espontâneo ou natimorto após o uso de drogas antiepilépticas durante a gravidez foram analisados por regressão binomial, corrigindo potenciais confundidores, incluindo idade materna, rendimento, educação, historial de perturbações mentais graves e historial de abuso de substâncias. Os resultados mostraram que um total de 4700 (0,5%) mulheres grávidas utilizaram drogas anti-epilépticas durante a gravidez. Após a correcção de potenciais confundidores, o risco de aborto espontâneo era 13% mais elevado entre as mulheres grávidas que usavam drogas anti-epilépticas do que entre as que não usavam drogas anti-epilépticas. Contudo, a estratificação do estado materno da epilepsia revelou que o risco de aborto espontâneo só aumentou nas mulheres grávidas sem diagnóstico de epilepsia e não se alterou naquelas com epilepsia confirmada.  Havia 18 natimortos entre as mulheres que utilizavam drogas anti-epilépticas durante a gravidez, sugerindo que não havia correlação mas que a precisão estatística era baixa.  O estudo sugere que o uso de drogas anti-epilépticas durante a gravidez não aumenta o risco de aborto espontâneo em mulheres com epilepsia.  Os dados apoiam o tratamento contínuo de mulheres com epilepsia com medicamentos antiepilépticos durante a gravidez, uma vez que o risco de morte fetal é baixo. No entanto, as mulheres grávidas com epilepsia podem estar em risco acrescido de aborto espontâneo quando utilizam doses mais elevadas de medicamentos antiepilépticos, especialmente com doses elevadas de valproato de sódio, clonazepam e carbamazepina.