O sémen normal é constituído por dois componentes principais: o esperma e o plasma seminal. O plasma seminal é composto por cerca de 30% de líquido prostático, 65% de líquido da vesícula seminal e 5% de líquido das glândulas bulbosas da uretra. A frutose segregada pelas glândulas da vesícula seminal está escondida no líquido seminal. Os espermatozóides são produzidos nos testículos e, quando maduros, são transportados através dos canais deferentes para se juntarem ao plasma seminal perto dos canais ejaculatórios. A importância da análise da frutose no plasma seminal é dupla: (i) o significado fisiológico dos níveis de frutose; e (ii) o facto de a frutose, como secreção única da glândula da vesícula seminal, poder reflectir a função da glândula seminal ou a descarga do líquido da vesícula seminal, o que pode indicar perturbações associadas. A glicose no líquido seminal é a fonte directa de energia para os espermatozóides. Embora o plasma seminal contenha frutose, os espermatozóides não podem utilizar a frutose directamente para obter energia e necessitam de transformar a frutose do sémen em glucose antes de esta poder ser ingerida. Quase toda a glicose no sémen é convertida a partir da frutose, que é a fonte de energia “nos bastidores” para os espermatozóides. Quando o teor de frutose no sémen diminui, a quantidade de glicose transformada em glicose será reduzida em conformidade, e os espermatozóides ficarão num estado de “fome” devido ao fornecimento insuficiente de energia, e nadarão fracamente ou até mesmo “morrerão à fome”. Por conseguinte, quando o sémen ejaculado contém espermatozóides e o teor de frutose do plasma seminal é muito baixo, haverá uma falta de fornecimento de espermatozóides e uma motilidade reduzida. O nível de testosterona afecta a secreção de frutose das vesículas seminais, e a deficiência de androgénios pode resultar em níveis mais baixos de frutose. À medida que os homens envelhecem, os androgénios tendem a diminuir, a secreção das vesículas seminais diminui, o teor de frutose do plasma seminal diminui e o volume do sémen tende a diminuir. Por conseguinte, uma diminuição sustentada da concentração de frutose no plasma seminal pode também reflectir, em certa medida, uma diminuição dos níveis de androgénios masculinos. Quando a glândula da vesícula seminal está subdesenvolvida, fibrótica ou infectada, a secreção da glândula seminal é reduzida e a quantidade de frutose descarregada no líquido seminal é consequentemente reduzida. Esta diminuição da produção de frutose é frequentemente acompanhada por uma diminuição do volume do sémen. Nos casos de obstrução incompleta dos canais vesicoureterais e dos canais ejaculatórios, a descarga do líquido seminal é obstruída, resultando numa diminuição do teor de frutose do plasma seminal e do volume do líquido seminal. Nos casos de vesiculite, a quantidade de frutose do plasma seminal é reduzida e o sémen é frequentemente de cor castanha clara. Nos casos de ausência congénita da glândula da vesícula seminal, não é detectada frutose no sémen, o que se reflecte na ausência de espermatozóides no ejaculado, no baixo volume do sémen e num pH do sémen geralmente inferior a 7. Nos casos de obstrução do canal ejaculatório, mesmo que a glândula da vesícula seminal esteja normalmente desenvolvida, não é detectada frutose no ejaculado e o sémen comporta-se como se a glândula da vesícula seminal estivesse congenitamente ausente. Estas duas condições são colectivamente referidas como azoospermia obstrutiva distal, em que existe uma obstrução ou perturbação dos canais de transporte de espermatozóides, de tal forma que os espermatozóides nos testículos não podem ser eliminados.