A cirrose hepática pode ser invertida? Como escolher os medicamentos antivirais?

  O objectivo da terapia antiviral para a hepatite B crónica é evitar a progressão da doença para cirrose, doença hepática em fase terminal, carcinoma hepatocelular, e morte. Este objectivo de melhorar a qualidade de vida e sobrevivência pode ser alcançado através da supressão viral a longo prazo. Mas poderá a terapia antiviral ser invertida em doentes que progrediram para a cirrose? Muitos estudos recentes confirmaram que a cirrose pode ser revertida em alguns doentes com cirrose com terapia antiviral a longo prazo. Vários estudos confirmaram recentemente que a lamivudina oral a longo prazo durante 1 e 3 anos pode resultar em melhorias na necroinflamação em 56% e 57% dos doentes.  No entanto, uma vez que ocorra resistência aos medicamentos, a condição do paciente irá deteriorar-se novamente. O uso de entecavir durante 144-316 semanas, etc. pode levar a uma melhoria da necroinflamação em 88% dos pacientes. Contudo, a utilização a longo prazo de antivirais orais acarreta o risco de desenvolvimento de resistência. Tem sido relatado na literatura que as taxas de resistência genotípica de 5 anos só para lamivudina e adefovir chegam a 80% e 29%, respectivamente, enquanto a taxa de resistência de 5 anos para pacientes tratados com entecavir pela primeira vez é de 1,2%. Por conseguinte, na escolha dos medicamentos antivirais, é necessário um único medicamento com alta eficácia e baixa taxa de resistência ou uma combinação de dois medicamentos (alguns relatórios como a lamivudina combinada com o adefovir também têm baixas taxas de resistência). Isto foi acordado na Reunião Anual Europeia sobre o Fígado (EASL) de 2009. Na minha prática clínica durante muitos anos, após a utilização a longo prazo de medicamentos antivirais em doentes com cirrose, a imagem da cirrose também se manifesta em alguns doentes.