Extração de cancro, reconstrução de tumores, ensaios in vitro – tratamento personalizado do cancro Os cientistas criaram “tumores em miniatura” cultivados em laboratório para testar a resposta a diferentes tratamentos. O estudo envolveu a recolha de amostras de tumores (biópsias) de 71 pessoas com cancro avançado do intestino ou do estômago que se tinha espalhado para outras partes do corpo e que já tinham experimentado muitos outros tratamentos contra o cancro. Os investigadores utilizaram estas amostras para fazer crescer réplicas de tumores em miniatura no laboratório e testaram depois diferentes fármacos anticancerígenos, para ver se as réplicas de tumores respondiam da mesma forma que os tumores humanos. Em última análise, descobriram que os tumores em miniatura respondiam de forma tão precisa que podiam prever quais os tratamentos contra o cancro que funcionariam ou não, e identificar antecipadamente quais os tratamentos que seriam provavelmente eficazes poderia poupar tempo valioso e melhorar as perspectivas dos doentes com cancro. Estas descobertas poderão abrir um novo campo de tratamentos personalizados do cancro, mas a investigação ainda está na sua fase inicial e é necessário mais trabalho. O estudo foi realizado por investigadores do The Institute of Cancer Research e do The Royal Marsden Hospital, em Londres, e foi publicado na revista Science. Este é um estudo valioso que abre novas áreas para o tratamento do cancro. Muitas vezes é difícil saber a que medicamentos uma pessoa pode responder, especialmente se já tiver tentado vários tratamentos. Este trabalho mostra que é possível reproduzir o tumor de um doente em laboratório, o que permite testar previamente as terapias a que o doente provavelmente responderá e as que não responderá. Esta investigação tem o potencial de ajudar a fornecer tratamentos verdadeiramente personalizados e pode evitar ensaios repetidos para muitos doentes quando os médicos recebem uma nova droga contra o cancro. Isto poderá ajudar a garantir que os tratamentos eficazes sejam administrados o mais cedo possível, retardando assim a progressão dos tumores e melhorando o prognóstico dos doentes. No entanto, esta investigação ainda está na sua fase inicial e a replicação de tumores em miniatura ainda não foi utilizada para orientar o tratamento, pelo que é necessária mais investigação para ver se isto conduzirá à cura de mais cancros e a melhores taxas de sobrevivência.