O linfoma difuso de grandes células B do mediastino primário requer radioterapia?

 Linfoma difuso de grandes células B do mediastino (PMBL), um subtipo específico de linfoma difuso de grandes células B (DLBCL), é epidemiologicamente, clínica e biologicamente distinto da forma não específica do linfoma difuso de grandes células B e tem um prognóstico relativamente bom, mais frequentemente em mulheres jovens na faixa dos 30 e 40 anos. É semelhante ao linfoma esclerosante nodular Hodgkin (NSHL), que ocorre no mediastino e se apresenta como uma massa mediastinal anterior que pode invadir estruturas locais. Estudos a nível genético sugerem que PMBL e NSHL partilham algumas das mesmas anomalias genéticas. Devido ao pequeno número de casos, na sua maioria estudos retrospectivos, e critérios de diagnóstico pouco claros, ainda há controvérsia sobre o tratamento. Os estudos disponíveis até agora sugerem que a quimioterapia é favorecida em relação a regimes mais intensivos de dose, sendo o EPOCH-R dose-ajustado o mais favorecido. Uma das principais controvérsias relativas ao tratamento é a questão da radioterapia de consolidação. Alguns estudos iniciais sugerem que a radioterapia de consolidação tem um lugar importante no tratamento do PMBL. Num estudo pré-PET, a administração de radioterapia de consolidação ao mediastino após quimioterapia com o regime MACOP-B mostrou actividade de gálio em 66% dos tumores de pré-tratamento, que caiu para 19% após o tratamento, um dos primeiros estudos de apoio à radioterapia de consolidação. Agora que chegámos à era do melphalan, a importância do melphalan no PMBL não pode ser negada, apesar da falta de estudos prospectivos. A melhoria da eficácia trazida pela melovar diminuiu o estado da radioterapia de consolidação? Contudo, num recente estudo prospectivo de um único braço realizado pelo NCI, que utilizou quimioterapia EPOCH-R ajustada à dose sem radioterapia de consolidação, foram atingidos 5 anos de EFS e OS de 93% e 97%, pelo que parece que a radioterapia de consolidação após quimioterapia de alta intensidade em combinação com melova já não é necessária. Contudo, isto precisa de ser confirmado por estudos prospectivos controlados, e um estudo prospectivo actualmente em curso comparando o resultado de pacientes PET-negativos tratados com e sem radioterapia de consolidação após imunoterapia, devido à heterogeneidade dos regimes de quimioterapia do estudo, pode eventualmente dar-nos uma resposta satisfatória à questão dos regimes de quimioterapia e se devemos ou não consolidar a radioterapia.