Seis pontos-chave da análise dos gases sanguíneos

A análise de gases sanguíneos é uma obrigação para os denunciantes, mas já a dominou como denunciante? Aqui está uma rápida revisão do que precisa de saber. Um pH normal significa que não existe um desequilíbrio ácido-base? O pH indica a concentração de iões de hidrogénio líquido e é o indicador mais importante do gás no sangue arterial. O pH do sangue arterial é de 7,35-7,45, o que reflecte o efeito combinado do assobio in vivo e de factores metabólicos. Um pH inferior a 7,35 indica acidemia, que já está desequilibrada; um pH superior a 7,45 é alcalemia, que já está desequilibrada. Se o pH estiver entre 7,35 e 7,45, isso significa necessariamente que não há desequilíbrio ácido-base? Não! Em geral, existem 3 condições possíveis quando o pH é normal: ausência de desequilíbrio ácido-base, desequilíbrio ácido-base compensado e desequilíbrio ácido-base composto. A situação exacta deve ser analisada de forma exaustiva. Um valor elevado de PaCO2 é indicativo de acidose assobiável primária? A PaCO2 é um indicador importante de um desequilíbrio ácido-base e reflecte a eficácia da ventilação alveolar. O valor normal é de 35-45 mmHg, e um valor superior a 45 mmHg indica hipoventilação e retenção de CO2. Em muitos doentes com AECOPD, a PaCO2 está elevada, mas isto pode dever-se a uma acidose inspiratória primária, em resultado de uma ventilação inadequada. Mas também pode ser uma consequência de uma compensação… compensatória de quê? Alcalose metabólica! O corpo pode ter uma alcalose metabólica por qualquer razão, e é aí que o sistema inspiratório compensa tentando deixar um pouco mais de CO2 para trás, o que resulta num aumento da PaCO2. O que significa a capacidade de ligação de CO2 (CO2CP)? A capacidade de ligação do CO2 é obtida equilibrando o sangue venoso com ar contendo 5,5% de CO2 (ou gás alveolar humano normal) à temperatura ambiente, medindo o teor de CO2 do plasma e subtraindo o CO2 fisicamente dissolvido. É a quantidade de CO2 no plasma em estado ligado e reflecte as reservas alcalinas do organismo, mas a capacidade de ligação do CO2 não reflecte atempadamente as alterações do CO2 no sangue. Um aumento da capacidade de ligação do CO2 pode indicar uma alcalose metabólica ou uma acidose em apito, ao passo que uma diminuição da capacidade de ligação do CO2 pode indicar uma acidose metabólica ou uma alcalose em apito, pelo que esta deve ser avaliada no contexto da situação clínica. Nas unidades onde a análise dos gases sanguíneos está disponível, a ligação do CO2 já não é uma prioridade. Como se podem determinar as alterações primárias e compensatórias? Quando a alteração do HCO3- e/ou do H2CO2 ultrapassa a capacidade de compensação do organismo, provoca uma anomalia do pH e um desequilíbrio ácido-base. Mas como é que se pode saber se um desequilíbrio ácido-base é primário ou compensatório? Um desequilíbrio ácido-base que é igual a uma alteração do pH é geralmente considerado uma alteração primária, enquanto que um desequilíbrio ácido-base que é o oposto de uma alteração do pH (ou seja, traz o pH para o normal) é uma alteração compensatória e, normalmente, a compensação é inadequada. Por exemplo, na acidose em apito (aguda ou crónica), pode haver uma compensação renal que leva a um aumento do HCO3-, mas nenhuma quantidade de HCO3- compensatório excederá 45 mmol/L ( Se este valor for ultrapassado, deve ser considerada a presença de um desequilíbrio ácido-base misto, ou seja, a possibilidade de uma alcalose metabólica concomitante. Por conseguinte, se existir uma anomalia significativa (para além dos limites compensatórios) no equilíbrio ácido-base em simultâneo com um pH normal, deve estar-se alerta para um desequilíbrio ácido-base misto, tal como acidose em apito + alcalose metabólica. Fórmulas de compensação previsíveis para os desequilíbrios ácido-base simples, utilizadas habitualmente Princípios de tratamento da acidose em apito? O desequilíbrio ácido-base mais comum no assobio é o ácido do assobio. O tratamento etiológico do ácido de assobio é importante porque a acidose de assobio se deve principalmente a uma ventilação inadequada, pelo que o que temos de fazer é melhorar a ventilação e não a suplementação alcalina. Por exemplo, utilizar broncodilatadores, estimulantes do assobio e, se necessário, ventilação mecânica para melhorar a ventilação ou, se já estiver em ventilação mecânica, considerar o ajuste dos parâmetros para aumentar a taxa de ventilação por minuto. O ácido sibilante normalmente não requer suplementação alcalina. Quando é que a suplementação alcalina deve ser administrada no caso do ácido vesicular? A suplementação alcalina moderada deve ser considerada quando o pH é <7,2 ou em combinação com alcalose metabólica, ou quando a hipercapnia é permitida durante a ventilação mecânica para reduzir a lesão pulmonar (uma única suplementação de NaHCO3 a 5% é geralmente limitada a 80-100 ml). Na acidose crónica, a taxa de redução da PaCO2 não deve ser demasiado rápida, para que o aumento do HCO3- não seja excretado pelos rins a tempo de causar uma alcalose grave.