Jantar cedo ou pelo menos duas horas antes de ir para a cama pode reduzir o risco de cancro da mama e da próstata. Especificamente, as pessoas que jantaram antes das 21 horas ou que esperaram duas horas após o jantar antes de se deitarem apresentaram um risco cerca de 20% inferior de ambos os cancros do que as que jantaram depois das 22 horas ou que se deitaram pouco tempo depois, segundo um relatório publicado a 17 de Julho no site americano Daily Science. Esta é a principal conclusão de um novo estudo do Instituto de Saúde Global de Barcelona, em Espanha, que analisa pela primeira vez a relação entre o risco de cancro e a hora de comer e de dormir. Estudos anteriores que analisaram a associação entre a alimentação e o cancro centraram-se na estrutura da dieta (por exemplo, os efeitos do consumo de carne vermelha, fruta e legumes) e na relação entre a ingestão de alimentos e a obesidade, refere o relatório. No entanto, tem sido dada pouca atenção a outros factores associados ao comportamento alimentar diário: o momento da ingestão de alimentos e as actividades das pessoas antes e depois das refeições. Este último estudo experimental demonstra a importância das horas das refeições e mostra o impacto da alimentação nocturna na saúde. O novo estudo, publicado no International Journal of Cancer, tinha como objectivo avaliar se o horário das refeições estava associado ao risco de desenvolver cancros da mama e da próstata, dois dos tipos de cancro mais comuns em todo o mundo. Os cancros da mama e da próstata estão também entre os tipos de cancro mais fortemente associados ao trabalho nocturno, à perturbação do relógio biológico e à alteração do biorritmo. O estudo recolheu dados de 621 doentes com cancro da próstata e 1205 doentes com cancro da mama, bem como de 872 homens e 1321 mulheres seleccionados aleatoriamente em centros de saúde primários, refere o relatório. Estes participantes preencheram um questionário sobre os seus hábitos alimentares e o cumprimento das recomendações de prevenção do cancro. O primeiro autor do estudo, Manolis Coyvenas, investigador do Instituto de Saúde Global de Barcelona, afirmou que os resultados “sublinham a importância de avaliar os ritmos circadianos nos estudos sobre a alimentação e o cancro”.