Tratamento faseado da displasia acetabular

Fase inicial Os doentes nesta fase sentem frequentemente cansaço fácil da articulação da anca, dor na articulação da anca, dor ligeira ou comprimento desigual dos membros inferiores e marcha claudicante, sem lesões óbvias da articulação da anca. O objetivo do tratamento nesta fase é evitar que a anca evolua para subluxação ou luxação. O doente deve ser aconselhado a reduzir a carga sobre a anca afetada e deve evitar trabalhos físicos muito pesados e actividades muito extenuantes. O tratamento cirúrgico pode ser considerado para alterar a direção do acetábulo e aumentar a cobertura do acetábulo, de forma a prevenir ou atrasar a progressão para as fases intermédia e tardia. Na fase intermédia, a dor da anca piora e a articulação torna-se subluxada ou deslocada, com osteoartrite ligeira. O objetivo do tratamento é reduzir a dor, apertar a cápsula articular e aumentar a estabilidade da articulação. Procedimentos cirúrgicos mais utilizados: osteotomia pélvica de Chiari e capsulagem acetabular. Fase tardia A dor da anca afetada agrava-se ainda mais com a dor em repouso, seguida de um agravamento da claudicação, combinada com osteoartrite grave e limitação óbvia da função articular. A maior parte da cartilagem articular é destruída, o osso subcondral é exposto, o espaço articular estreita-se ou desaparece, a osteosclerose é mais grave, acompanhada de degenerescência quística, o espaço articular é preenchido por uma grande quantidade de tecido fibro-macio e forma-se um grande número de obstáculos ósseos na borda acetabular (área sem suporte de peso). A cabeça do fémur está achatada ou mesmo colapsada. A substituição total da anca é a opção de tratamento mais adequada nesta fase. No tratamento da displasia acetabular do adulto, a gravidade da lesão varia muito de doente para doente, desde a menor superficialidade acetabular até à luxação total grave que provoca uma elevada cavalgadura da anca; ao mesmo tempo, a osteoartrite secundária da articulação da anca, devido ao desenvolvimento anormal do acetábulo, dificulta significativamente a reconstrução do acetábulo. Além disso, as alterações patológicas da articulação da anca, dos tecidos moles circundantes e do fémur aumentam ainda mais a complexidade da THR.