As receitas médicas chinesas têm tudo a ver com composição e trabalho de equipa. A medicina ocidental, por outro lado, só vê as árvores mas não a floresta, e quando ouve que uma determinada erva é eficaz, analisa-a imediatamente e extrai o chamado princípio activo, que não procura o polegar de Maradona. A medicina chinesa fala de yin e yang e valoriza ambos os lados da questão, com particular ênfase nas causas internas. Os ocidentais, por outro lado, parecem concentrar-se num aspecto, especialmente nas causas externas. Os chineses dizem que uma mosca não morde um ovo sem costura, mas parece que só nos preocupamos com a mosca. No caso de comer, a cor, sabor e forma dos alimentos é importante, mas o mais importante é o humor e o apetite da pessoa que come. Os ocidentais não compreendem a cultura chinesa, e devido ao seu preconceito contra a China, pensam sempre que os chineses são pobres e é por isso que comem tudo. Não comemos miudezas de animais (miudezas), garras de galinha, patas de porco, até sangue de porco e de pato, mas os chineses comem-nos a todos. No início também pensei assim, mas quando vim para a China descobri que não eram os pobres mas sim os ricos que os comiam. O professor disse que cheira melhor a ossos do que a carne, que cheira melhor quando as pessoas agarram numa refeição, e que cheira melhor quando se come algo que foi roubado. Isto também é verdade para a prevenção de doenças e para o tratamento de doenças. Não se pode olhar apenas para vírus e bactérias, é preciso olhar para a constituição, humor, espírito, casa e ambiente de trabalho da pessoa. Esta é a verdade da medicina chinesa, não é?