As mutações num gene que codifica a leptina (LEP) podem levar à perda da actividade biológica da leptina e causar obesidade extrema de início precoce, de acordo com um Relatório Breve publicado no New England Journal of Medicine (NEJM). O Dr. Martin Wabitsch e colegas da Universidade de Ulm, na Alemanha, relataram um caso de obesidade extrema de início precoce num rapaz de 2 anos. Após a sequenciação do ADN genómico da LEP utilizando protocolos padrão, os investigadores identificaram um novo local de reversão de híbrido puro (c.298G→T), que resultou numa alteração de aspartato para tirosina no local do 100º aminoácido (p.D100Y). Esta criança tem níveis circulantes elevados de leptina mutante, mas esta leptina mutante não se liga nem activa os receptores de leptina. Estudos em animais mostraram que, em ratinhos ob/ob com deficiência de leptina, esta proteína leptina mutante não reduz a ingestão alimentar e a perda de peso. Nesta criança, o tratamento com leptina humana recombinante (Metrepitant) resultou num rápido regresso aos hábitos alimentares normais e na perda de peso. Figura A. Curvas de alteração de peso antes e depois do tratamento com metribuzina em comparação com crianças normais da mesma idade em diferentes percentis Figura B. Crianças com mutações na leptina Os investigadores escrevem: “Com base nos nossos resultados, embora os níveis circulantes da hormona possam parecer normais em alguns doentes obesos relativamente ao índice de massa corporal e à gordura corporal total, a presença de mutações patogénicas no gene que codifica a leptina não pode ser excluída e, além disso, existe o potencial de impedir um diagnóstico correcto”.