O que é a síndrome de insensibilidade aos androgénios?

A síndrome de insensibilidade aos androgénios é uma das causas mais importantes de infertilidade masculina e de hermafroditismo masculino e é uma doença recessiva ligada ao X, embora 1/3 dos doentes não tenha antecedentes familiares. A síndrome de insensibilidade aos androgénios é um termo genérico para um grupo de doenças genéticas do desenvolvimento associadas a defeitos do receptor de androgénios (RA), que são causadas por múltiplas mutações no gene do receptor de androgénios, sendo a mais comum a síndrome de feminização testicular devida a defeitos do RA. Manifestações clínicas: A forma e a gravidade das manifestações dependem do nível de expressão do RA e do grau de comprometimento funcional do RA, resultando numa apresentação clínica altamente heterogénea, que vai desde a feminização completa dos genitais externos até uma aparência completamente masculina (esterilidade ou ginecomastia apenas). Pode ser dividida em quatro tipos: 1. Feminização testicular completa, em que, apesar de o cariótipo de todos os doentes com esta doença ser 46, XY, alguns doentes têm genitais externos que se assemelham aos de uma mulher e só são diagnosticados quando é encontrada uma massa na virilha (testículos) ou até à puberdade, quando se desenvolvem glândulas mamárias sem menstruação. Os testículos podem também estar localizados nos grandes lábios ou na cavidade abdominal e alguns doentes podem mesmo ter uma vida sexual feminina sem serem férteis; 2. feminização testicular incompleta, que pode ter vários graus de feminização, desde a semelhança com uma vulva feminina até à semelhança com uma vulva masculina apenas com hipospádias. Os que se encontram entre estes dois graus podem apresentar um escroto bifurcado, com pêlos sexuais, pêlos corporais e desenvolvimento das glândulas mamárias também mais próximos dos machos do que os que apresentam uma feminização completa, sendo todos eles inférteis; 3. 4. infertilidade masculina, em que o doente tem uma aparência masculina completamente normal, mas tem uma contagem de espermatozóides gravemente reduzida, resultando em infertilidade. Tratamento: inclui a correcção das deformidades genitais externas e a reposição hormonal para promover e manter as características sexuais secundárias. As opções de tratamento dependem da idade do doente, da gravidade da anomalia dos genitais externos e dos desejos do doente e da família. Dependendo da extensão da deformidade dos genitais externos, é utilizada a correcção cirúrgica para preservar os genitais masculinos ou femininos, respectivamente, seguida de terapêutica de substituição com estrogénios e progestagénios ou preparações de androgénios, mas nenhuma delas pode restaurar a fertilidade. Prevenção: 1. efectuar o diagnóstico pré-natal; 2. o tratamento cirúrgico orientado para o género deve ser efectuado antes de o doente estabelecer o conceito de género e dar uma educação orientada para o género depois de o conceito de género estar estabelecido; dar educação sobre a doença aos doentes que estão determinados a ser criados como mulheres para reduzir a pressão ideológica de serem inférteis.