O tratamento da dependência do álcool e das drogas é globalmente inadequado

A Organização Mundial de Saúde, por ocasião do Dia Internacional contra o Abuso de Drogas, a 26 de junho, lançou um novo sistema de informação global que documenta a afetação de recursos para a prevenção e o tratamento de problemas relacionados com o álcool e as drogas em 147 países. A base de dados revela que a maioria das pessoas com perturbações relacionadas com o abuso de substâncias não está atualmente a receber tratamento e cuidados eficazes. De acordo com o sistema, até à data, a toxicodependência não tem sido reconhecida como um problema de saúde em muitos países e a discriminação que lhe está associada tem constituído um obstáculo importante ao tratamento adequado, sendo que apenas 82 países prestam serviços de saúde especiais a pessoas com perturbações relacionadas com o abuso de substâncias. Os dados mais recentes das Nações Unidas mostram que, em 2010, cerca de 230 milhões de pessoas com idades compreendidas entre os 15 e os 64 anos consumiram drogas ilícitas pelo menos uma vez, o que representa 5 por cento da população total nessa faixa etária. Saxena, chefe da unidade de saúde mental e abuso de substâncias da OMS, afirmou que os dados do novo sistema demonstram as enormes lacunas no tratamento do abuso de substâncias, embora cada vez mais países estejam a aperceber-se dos benefícios do tratamento da dependência de drogas e álcool, não só para os indivíduos, mas também para a economia e a sociedade em geral. Segundo a OMS, a toxicodependência pode ser tratada eficazmente com medicamentos de baixo custo e tratamentos psiquiátricos normalizados. Entre outras coisas, o tratamento da dependência da heroína tem sido muito bem sucedido na redução das infecções por VIH, da criminalidade associada e das mortes por overdose de drogas devido à injeção insegura.