O que causa a microangiopatia diabética?

  A microangiopatia diabética é a base patológica comum para muitas complicações vasculares graves da diabetes, tais como nefropatia diabética (DN), retinopatia diabética, cardiomiopatia diabética e gangrena diabética húmida. As perturbações microcirculatórias, microangiomas e o espessamento da membrana microvascular do porão são as lesões típicas da microangiopatia diabética.  A patogénese exacta da microangiopatia diabética não foi totalmente elucidada na medicina moderna, mas foram desenvolvidas as seguintes hipóteses importantes.  (1) Anomalias hemodinâmicas: As alterações hemodinâmicas são um importante factor iniciático para a microangiopatia. A perfusão e hiperfiltração renal induzida pela hiperglicemia é um mecanismo importante para o desenvolvimento de complicações microvasculares diabéticas do DN. O feedback do grupo, promovendo a libertação de substâncias vasodilatadoras prostaglandinas e hormona natriurética cardíaca e aumento da NO secreção, provocando a dilatação das pequenas artérias de entrada glomerulares e o aumento da pressão intra-glomerular, resultando na hiperfiltração glomerular.  (2) Teoria da glicosilação não enzimática de proteínas: Acredita-se que, num ambiente hiperglicémico, várias proteínas tecidulares podem sofrer reacções de glicosilação não enzimática, nas quais a glicose se combina quimicamente com proteínas na fase inicial da glicosilação para formar produtos de glicosilação reversível precoce, que depois são reordenados, reticulados e eventualmente formam produtos finais de glicação (AGE). Isto resulta numa maior permeabilidade da microvasculatura, espessamento da membrana do porão, estagnação do fluxo sanguíneo e mesmo oclusão da microvasculatura, resultando em microangiopatia diabética.  (3) A teoria do aumento da actividade do canal do poliol: a actividade do canal do poliol é composta por uma série de sistemas enzimáticos, sendo o mais importante a aldose redutase. Quando ocorre hiperglicemia, a actividade do canal do poliol aumenta, a actividade da aldose redutase aumenta, e o processo de conversão da glucose em sorbitol sob a acção catalítica da aldose redutase aumenta, e uma grande quantidade de sorbitol acumula-se nas células tecidulares, o que se torna um dos principais mecanismos de complicações crónicas da diabetes.  (4) Teoria da oxidação dos tecidos e da glicosilação: acredita-se que existe uma extensa glicosilação proteica não enzimática e reacções de modificação oxidativa em doentes diabéticos, e as duas promovem uma à outra, como resultado, a oxidação lipídica, os radicais superóxidos e a glicosilação não enzimática em conjunto causam danos nos tecidos, resultando em alterações patológicas tais como o aumento da permeabilidade microvascular e o espessamento da membrana microvascular de porão.  (5) Envolvimento da angiotensina II (ATII) e factores de crescimento celular. Avanços recentes na biologia molecular confirmaram o envolvimento da ATII e de várias citocinas como a interleucina-6 (IL-6), o factor de necrose tumoral (TNF) e o factor de crescimento transformador (TGF-β) no desenvolvimento da nefropatia diabética, uma complicação microvascular da diabetes. ATII pode causar constrição das pequenas arteríolas glomerulares e aumentar a pressão intracapilar nos glomérulos, levando à proteinúria e à glomerulosclerose; IL-6 pode estimular a proliferação de células tilacóides e promover a produção de colagénio tipo IV pelas células tilacóides; TGF-β pode aumentar a expressão de ácido ribonucleico mensageiro de colagénio tipo IV (mRNA), que pode estimular a síntese e secreção de colagénio IV pelas células tilacóides glomerulares; TNF promove a proliferação de células tilacóides e a secreção de matriz extracelular.  (6) Hiperlipidemia: estudos recentes mostraram que as perturbações do metabolismo lipídico podem induzir a acumulação e libertação de plaquetas através da produção de radicais livres de oxigénio, induzir o monócito? Os macrófagos infiltram-se e libertam uma variedade de hidrolases e citocinas, interferem com a síntese de prostaglandinas e outros mecanismos multifacetados envolvidos no processo patológico da microangiopatia diabética.  (7) Perturbações microcirculatórias: Um grande número de estudos confirmou que as perturbações microcirculatórias são comumente encontradas em doentes com microangiopatia diabética, manifestadas principalmente por alterações na morfologia microvascular, perturbações microculturais, e alterações nas propriedades físico-químicas do sangue, resultando num estado de hipercoagulação, hiperagregação, hiperintensidade e hiperviscosidade, que são mecanismos importantes na formação da microangiopatia diabética. As teorias acima referidas têm certas bases teóricas e experimentais, mas nenhuma delas pode elucidar completamente a patogénese da microangiopatia diabética, pelo que é particularmente importante reforçar a investigação básica sobre a patogénese da microangiopatia diabética.