Algumas reflexões sobre o estado atual da unidade de anestesia

Devido às características da natureza do trabalho do serviço de anestesiologia (trabalho à porta fechada e contacto com os doentes limitado a um curto período de tempo no bloco operatório), muitas pessoas (incluindo os doentes em geral, muitos dirigentes dos hospitais e algum pessoal médico dos hospitais) sabem muito pouco ou quase nada sobre a natureza e as características do seu trabalho. Nalguns hospitais, a anestesiologia é mesmo classificada como um departamento de tecnologia médica, o que se tornou motivo de chacota no sector. Aos olhos de muitas pessoas, a anestesia é apenas “dar uma injeção”, e há uma grave falta de conhecimentos de anestesia. De facto, na cirurgia, o cirurgião concentra-se numa determinada lesão do doente, enquanto o anestesista vê todo o corpo do doente, para além de garantir que o efeito da anestesia do doente é perfeito, mas também para deixar o doente confortável. O que é mais importante é monitorizar os sinais vitais do doente, tais como se a pressão arterial está estável, se há hipoxia e armazenamento de dióxido de carbono, qual a quantidade de hemorragia intra-operatória, a necessidade de reposição atempada de vários tipos de fluidos (líquido cristaloide ou coloidal ou plasma ou suspensão de glóbulos vermelhos ou transfusão de sangue componente) e assim por diante todos os tipos de condições, para proteger totalmente a segurança do doente, com a indústria nas palavras de “o cirurgião é responsável pela doença, o anestesista é responsável pela vida”. A importância da anestesia pode ser comprovada pelo facto de o sector dizer que “os cirurgiões são responsáveis pelas doenças e os médicos anestesistas são responsáveis pelas vidas”.