Algumas pessoas gostam de boa comida, e quando se deparam com algo delicioso, comem sempre até estarem cheias. Contudo, depois de comer durante muito tempo, há sempre uma sensação de azia no peito, arrotos e refluxo ácido. Este é o resultado da doença do refluxo gastro-esofágico (DRGE). A doença do refluxo gastro-esofágico (DRGE) é uma condição clínica muito comum. Os inquéritos mostraram que a incidência de GERD na população geral é de cerca de 6% e a incidência de danos na mucosa esofágica é de cerca de 2% quando estas pessoas são submetidas a gastroscopia. Normalmente, os alimentos engolidos são empurrados para o estômago por contracções peristálticas propulsivas do esófago, e os alimentos que entram no estômago não fluem para trás para o esófago. Isto porque se forma uma zona de alta pressão na junção do esófago e do estômago – como uma válvula de um só sentido que permite a entrada mas não a saída dos alimentos do estômago. No entanto, quando esta válvula se torna disfuncional, ou se a capacidade peristáltica propulsora do próprio esófago é reduzida, o conteúdo do estômago tende a refluxar para o esófago, causando os sintomas clínicos correspondentes, que são conhecidos como doença de refluxo gastro-esofágico primário. A razão pela qual a válvula perde a sua função é congénita em algumas pessoas, em outras está relacionada com o fumo, o álcool, a obesidade e o stress mental, e em outras está relacionada com o comer em excesso. Digamos que se o estômago estiver sempre demasiado cheio, como uma bola totalmente insuflada com demasiada tensão, irritará constantemente a válvula na junção gastro-esofágica, levando a um relaxamento transitório e a um refluxo do conteúdo estomacal para o esófago. O conteúdo estomacal, que contém ácido estomacal e várias enzimas digestivas, irrita a mucosa do esófago, levando por vezes mesmo à erosão da mucosa (esofagite de refluxo), e o doente terá os sintomas correspondentes. Não subestime a DRGE como uma doença que muitas pessoas irão sentir que afecta a sua vida e o seu trabalho, afectando a sua qualidade de vida. Alguns pacientes têm sintomas de irritação do esófago, tais como dor no peito retroesternal e deglutição dolorosa. Também pode haver sintomas de irritação extra-esofágica sob a forma de tosse e asma. Então, como deve ser tratado o GERD? O primeiro tratamento recomendado para o GERD é o tratamento geral, que envolve a melhoria do estilo de vida pobre e a mudança de hábitos alimentares para reduzir o refluxo. A medicação pode ser utilizada para reduzir directamente os efeitos irritantes do refluxo dependendo da condição, com um curso de medicação recomendado para o primeiro tratamento de 8 – 12 semanas. Para pacientes com DRGE crónica recorrente, o tratamento a longo prazo é teoricamente aconselhável. No entanto, a supressão a longo prazo do ácido estomacal também não é boa. A utilização a longo prazo de medicamentos supressores de ácido não só aumenta a carga financeira do doente, como também pode trazer reacções adversas ao organismo, caso em que o tratamento cirúrgico anti-refluxo pode ser considerado.