Sabemos que as doenças mentais podem ser divididas em muitas categorias, tais como perturbações do humor (doença bipolar, depressão), esquizofrenia, transtorno obsessivo-compulsivo, fobia social, distúrbios de ansiedade, etc. Como as causas de muitas doenças mentais são desconhecidas, com possíveis causas biogenéticas e psicossociais, o tratamento de doenças mentais só pode ser sintomático na maioria dos casos. Muitos doentes psiquiátricos têm de permanecer sob medicação a longo prazo, ou mesmo vitalícia. Quando muitos pacientes ouvem que terão de tomar medicamentos durante muito tempo ou mesmo para o resto das suas vidas, vem-lhes à mente o pensamento: “A minha vida não acabou? Receio nunca ser feliz na minha vida”. Será este realmente o caso? Digo frequentemente aos meus pacientes ou às suas famílias que o objectivo mais importante na vida é ser feliz. Depois de dizer isto durante muito tempo, tenho tido pessoas a retorquir-me que muitas vezes, por muito que tentemos, não conseguimos mudar a realidade externa. Como podemos ser felizes desta forma? Na verdade, não creio que não possamos ser felizes só porque não podemos mudar as coisas externas. Mesmo que o estado externo das coisas não possa ser alterado, se a percepção muda, pode-se sentir muito diferente quando se é confrontado com as mesmas coisas. Para muitas pessoas com doenças mentais, a medicação é frequentemente uma realidade externa que não pode ser mudada, pensando: “A minha vida não acabou? Receio nunca ser feliz na minha vida”. É uma percepção que precisa de ser mudada. Se eu lhe perguntasse: “É feliz a comer para o resto da sua vida? Ficaria perplexo. De facto, desde que os efeitos secundários do medicamento sejam toleráveis, podemos pensar nisto como uma refeição. Sabemos que as refeições nos ajudam, e a medicina também! Que não nasce para depender de algo para viver. Todos precisamos de ar, luz solar e talvez uma pequena flor. Pensando bem, mesmo que tome medicamentos, isso não significa que a vida não o qualifica para viver feliz e com gosto. Muitas vezes, a felicidade precisa de ser facilitada pelo mundo exterior, mas em retrospectiva, os tempos em que somos verdadeiramente mais felizes na vida não são muitas vezes porque somos os mais ricos ou os mais prósperos, mas sim porque somos os mais dispostos a dar por uma razão, os mais dispostos, ou mesmo os mais duros e exaustos nas nossas vidas. Assim, na maioria das vezes, a felicidade é uma capacidade mental que permite transformar circunstâncias externas em valores e prazeres internos. Tal capacidade não tem qualificações ou licenças, mas não é menos importante do que a competência profissional no trabalho!