As pessoas com doenças mentais são um símbolo de violência? Aos olhos do público, a doença mental e a violência estão sempre intimamente ligadas. Um estudo norte-americano definitivo analisou um ano inteiro de programas de televisão —- incluindo telenovelas, dramas e filmes e descobriu que 73% dos programas apresentavam doentes mentais em imagens violentas. O mesmo estudo, que analisou a televisão e a imprensa escrita, revelou que 90% das histórias sobre doentes mentais apresentavam estes doentes em imagens violentas e homicidas. A imagem que os meios de comunicação social fazem dos doentes mentais como violentos é altamente contrafactual e discriminatória. Qual é exatamente a relação entre doença mental e violência? A investigação sugere que os doentes mentais não são mais violentos ou perigosos do que a população em geral. Se existe uma relação, isso só pode significar que são mais susceptíveis de serem vítimas de violência, especialmente de auto-mutilação. Em termos de escala, as pessoas com doenças mentais graves, como a esquizofrenia, têm apenas 0,005% de risco de ferir ou matar outra pessoa ao longo da vida, enquanto o risco de suicídio é de quase 10%. Por outras palavras, o risco de se magoarem a si próprias é 2.000 vezes superior ao risco de magoarem os outros. Existe uma ligação entre a doença mental e a violência? Sim, existe uma fraca associação estatística entre a doença mental e a violência. Esta associação concentra-se principalmente em determinados doentes, como os que tiveram um comportamento violento anterior mas não receberam qualquer tratamento, e os que são também toxicodependentes ou alcoólicos. No entanto, a associação entre o alcoolismo em geral ou entre os jovens dos 15 aos 25 anos e a violência é maior do que a associação entre a doença mental e a violência. O que é que se pode fazer para melhorar esta situação? O passo mais importante é encaminhar o doente para um bom tratamento. Para isso, é importante que os profissionais de saúde mental identifiquem as pessoas em risco de violência e garantam que recebem ajuda adequada, atempada e consistente. É igualmente importante que a sociedade no seu conjunto compreenda o problema com exatidão.