A dor do cancro O grande inimigo da saúde pública do século XXI. A nível mundial, 9 milhões de cancros ocorrem todos os anos, 20-50% presentes com dor no momento do diagnóstico, a maioria dos doentes oncológicos avançados sofrem de dor, e pelo menos 4 milhões de pessoas sofrem de dor oncológica todos os dias. A dor cancerígena deve, portanto, ser levada a sério, e o tratamento médico actual é capaz de proporcionar alívio da dor em 80% dos pacientes. No entanto, o problema da gestão inadequada da dor para os doentes com dores cancerígenas é ainda muito elevado. A principal razão para isto é que os profissionais médicos e o público têm estereótipos e até conceitos errados sobre a dor e os analgésicos cancerígenos. Mito 1: Os analgésicos só são usados quando a dor é grave. De facto, é mais seguro e eficaz usar analgésicos a tempo e numa dose mais baixa. Os pacientes que não recebem alívio da dor a longo prazo são propensos à ansiedade e à insónia, o que afecta a sua qualidade de vida e provoca desperdício e exaustão, tornando-os incapazes de tolerar tratamentos primários (por exemplo, cirurgia, radioterapia, quimioterapia). Para pacientes com dores crónicas do cancro que necessitam de analgésicos de longa duração, os opiáceos (por exemplo, morfina) são mais seguros e mais eficazes. Os efeitos secundários dos não-opióides são fáceis de ignorar, e os seus efeitos têm um “efeito de limitação”. Para pacientes com dores cancerosas moderadas a graves, não há substituto para analgésicos opiáceos. De facto, devido à sua elevada toxicidade e ao seu fraco efeito analgésico, a OMS classificou o dulcolax como um medicamento não recomendado para o tratamento da dor causada pelo cancro. Mito 4: A morfina é viciante Estudos experimentais e prática clínica confirmaram que a dependência raramente ocorre quando a morfina ou as manchas transdérmicas são tomadas oralmente por doentes com dores de cancro. Uma vez usados os opiáceos, os opiáceos podem ser parados em segurança em qualquer altura se a causa da dor cancerígena for controlada e a dor desaparecer. Mito 5: Os doentes com cancro que tomam morfina significam que já enfrentam a morte. Dados estrangeiros mostram que a aplicação correcta de morfina prolonga a vida dos doentes com cancro devido a: ausência de dor; repouso e sono melhorados; maior apetite e aptidão física. E a aplicação de opiáceos não se baseia na duração de vida esperada, mas no grau de dor. Em resumo, os doentes com cancro devem consultar um oncologista altamente treinado e seguir a abordagem de “três passos” na gestão da dor causada pelo cancro, utilizando medicamentos contra a dor de uma forma científica e racional para alcançar o melhor resultado possível.