O AVC é agora a causa número um de incapacidades e mortes na nossa população, e a incidência está a aumentar de ano para ano. Ao contrário dos países ocidentais, a incidência e a taxa de mortalidade de AVC na China é muito mais elevada do que a das doenças coronárias. Estudos epidemiológicos mostram que 1,5 a 2 milhões de novos AVC ocorrem anualmente na China, com uma taxa anual de mortalidade por AVC de 58 a 142 por 100.000 habitantes e 8 a 10 milhões de doentes com AVC sobreviventes. Os acidentes vasculares cerebrais isquémicos são o tipo de acidente vascular cerebral mais comum, representando aproximadamente 70% dos acidentes vasculares cerebrais. Por conseguinte, a prevenção e tratamento activo do AVC isquémico é de grande importância na redução da morbilidade, mortalidade e carga de doenças cardiovasculares na China, sendo uma prioridade máxima na prevenção e tratamento de doenças cardiovasculares na China. Numerosos estudos demonstraram que o colesterol total elevado (CT) e o colesterol lipoproteico de baixa densidade (LDL-C) estão associados a um risco acrescido de AVC isquémico: o risco de AVC isquémico tende a aumentar significativamente com o aumento dos níveis de LDL-C. O Programa Nacional de Educação sobre o Colesterol (NCEPATP III), publicado em 2004, é uma orientação detalhada para a gestão de doentes hiperlipidémicos em risco de doença cerebrovascular e recomenda o LDL- C como alvo terapêutico primário. As Directrizes Chinesas para a Prevenção e Tratamento do AVC Isquémico e da AIT 2010 também referem que os doentes com AVC isquémico/TIA que tenham níveis elevados de colesterol devem ser tratados com intervenções no estilo de vida e medicação, recomendando o uso de estatinas Em 2011, a American Heart Association/ American Stroke Association (AHA/ASA) actualizou as Guidelines for Secondary Prevention of Ischemic Stroke and TIA, que fornecem uma descrição mais detalhada da relação entre lípidos, AVC e estatinas, enfatizando a importância dos três. A directriz revê os resultados do Estudo Epidemiológico Coreano e do anterior Ensaio de Intervenção de Factores de Risco Múltiplo (MRFIT) publicado em 2006 e da meta-análise estatina de 2004, que concluiu que o LDL- C está associado ao AVC isquémico e que a redução dos níveis de LDL- C reduz o AVC. Após análise de ensaios clínicos importantes, tais como o Ensaio de Protecção do Coração (HPS) e a Redução Intensiva do AVC para Prevenção (SPARCL), recomenda-se que: (i) para a redução do risco de AVC e cardiovascular, as estatinas com um efeito intensivo de redução dos lípidos sejam recomendadas para doentes com AVC isquémico/TIA com evidência de aterosclerose, LDL- C ≥2.6 mmol/L e nenhuma doença coronária conhecida (I, B). (ii) Para uma eficácia óptima em doentes com AVC isquémico aterosclerótico/TIA sem doença coronária conhecida, o alvo apropriado é uma redução LDL- C de >50% ou LDL- C <1,80 mmol/ L (IIa, B). (iii) Os pacientes com AVC isquémico/TIA que tenham colesterol elevado ou doença arterial coronária devem também ser geridos de acordo com os requisitos da NCEP ATP III, incluindo alterações no estilo de vida, orientações alimentares e recomendações de medicamentos (I, A).