Na prática clínica, os médicos necessitam de uma terminologia para as condições normais e patológicas do disco lombar. Um esforço conjunto da North American Spine Society, da American Society of Spinal Radiology e da American Society of Neuroradiology, através da formação de um comité de grupo de trabalho conjunto, publicou a Definição e classificação da patologia do disco lombar (Primeira edição) em 2001, que tem orientado radiologistas, clínicos e membros interessados do público há mais de 10 anos. Atualmente, a nossa compreensão do disco intervertebral lombar evoluiu e existe uma necessidade urgente de rever e atualizar a Definição e Classificação da Patologia do Disco Intervertebral Lombar de 2001. Como resultado, a North American Spine Society, a American Society of Spinal Radiology e a American Society of Neuroradiology actualizaram a primeira edição e concluíram a segunda edição. A segunda edição mantém o estilo e a maior parte da linguagem do documento original da primeira edição, com revisões das secções clínicas e de imagiologia correspondentes ao artigo atual publicado simultaneamente na Spine e na Spine J em dezembro de 2014 pelo Comité de Trabalho Conjunto. Os membros do Comité Misto reviram a primeira edição de 2001, pesquisando na pubmed a literatura relevante sobre discos lombares desde 2001 e revendo-a em conjunto. A primeira edição foi revista pelo Conselho de Administração da Spine Society of North America, da American Society of Spinal Radiology e da American Society of Neuroradiology, e revista para publicação. Classificação diagnóstica recomendada A classificação diagnóstica é baseada na patologia. Os discos lombares podem ser classificados como tendo uma ou mais das seguintes patologias: normal; variante congénita/de desenvolvimento; degeneração; trauma; infeção/inflamação; tumor; e/ou anomalia morfológica não significativa. Na degeneração, a fissura do anel fibroso substitui a rutura do anel fibroso na primeira versão. Modificações do quadro. 2) Refinamento das definições de hérnia discal aguda e crónica. Modificação da distinção entre hérnia discal e protuberância discal assimétrica; supressão da tabela na primeira edição. As principais definições são explicadas de seguida com imagens. Figura 1 Disco intervertebral lombar normal. (A) axial; (B) sagital; (C) coronal. Na figura, o disco intervertebral normal é constituído por um núcleo pulposo central e um anel fibroso periférico que se situa inteiramente dentro do limite do espaço intervertebral, proximal e distalmente envolvido pelas placas terminais, e perifericamente dentro do bordo exterior do bojo vertebral, sem osteófitos. Fig. 2 Fenda anular fibrosa. As fissuras anulares fibrosas podem ser radiais (R), transversais (T) e circunferenciais (C) e são divisões nas fibras do anel fibroso. A fissura transversal na figura está completamente desenvolvida e é perpendicular à fissura radial, e a fissura transversal é frequentemente utilizada para descrever a divisão da extensibilidade confinada ao anel fibroso periférico e aos pontos de fixação óssea. Figura 3 Discos salientes. A, Discos normais, todos dentro dos limites indicados pela linha pontilhada; B, Abaulamento simétrico do disco, com abaulamento simétrico do ânulo fibroso a menos de 3 mm do limite do disco; C, Abaulamento assimétrico do disco, com abaulamento assimétrico do ânulo fibroso superior a 25% da margem do disco. Figura 4 Hérnia discal: protrusão. Axial A e sagital B mostram que a protrusão discal é inferior a 25% do disco e que a medida máxima da protrusão é inferior à base da origem do disco deslocado em qualquer plano. Figura 5 Hérnia discal: extrusão. O axial A e o sagital B mostram os mesmos planos, sendo a medida máxima do disco deslocado maior do que a base da sua origem. Figura 6 Hérnia de disco: livre. Axial A e sagital B mostram o disco livre como um disco prolapsado sem qualquer ligação ao disco de origem. Figura 7 Hérnia de disco intervertebral (nódulo de Schirmer). O material do disco rompeu as placas terminais cartilaginosas e projetou-se para o corpo vertebral, como mostrado na vista sagital da figura. Fig. 8 Critérios imagiológicos para a degenerescência do disco intervertebral.A Espondilolistese metaplásica demonstrando protrusão óssea com preservação do espaço intervertebral.B Condralização óssea intervertebral caracterizada por estreitamento do espaço intervertebral, fissuras pesadas e erosão das placas terminais cartilaginosas. Figura 9 Integridade do disco intervertebral. As fissuras radiolúcidas são classificadas de 0 a 5, conforme demonstrado na TC de discografia. Fig. 10 Alterações reactivas da medula óssea vertebral. As alterações de sinal da medula óssea vertebral à volta do disco intervertebral na RM são classificadas em Modic tipo I (A), II (B) e III (C) de acordo com as alterações da fase T1 e da fase T2.