Desde que ouvi uma palestra do Professor Marshall, Prémio Nobel da Universidade da Austrália Ocidental, o descobridor do HP, na Universidade de Shantou em 2012, tenho-me tornado cada vez mais consciente da importância do H. pylori na prática clínica para as perturbações digestivas (e, claro, também para outros sistemas). Assim, hoje em dia, normalmente encorajo os pacientes com “problemas estomacais” a fazer um teste HP, para além da endoscopia habitual. Isto porque se descobriu que a HP é a principal causa de gastrite crónica, sendo que mais de 90% da gastrite crónica tem infecção por HP. Segundo o Segundo Hospital Filiado da Escola de Medicina da Universidade de Shantou, Xiao Yong, Departamento de Medicina Chinesa e Medicina Interna, “Mais de 50% da população mundial transporta Helicobacter pylori pré-existente na parte superior do sistema digestivo. A infecção é mais prevalente nos países em desenvolvimento, com um impacto decrescente nos países ocidentais. A via de transmissão de H. pylori é desconhecida, mas os indivíduos são geralmente infectados numa idade precoce”. Relativamente aos métodos de rastreio HP, existem normalmente 2 categorias clínicas: testes invasivos e não invasivos. O primeiro é feito por amostragem durante a endoscopia, enquanto o segundo inclui testes de anticorpos séricos, testes do hálito de ureia C14, e testes de antigénio Hp fecal. Para erradicar o HP, a opção de tratamento mais comum é um bloqueador de bomba de protões/bismuto + 2 antibióticos = tripla terapia. Para prevenir o desenvolvimento de resistência aos medicamentos, estão também disponíveis bloqueadores da bomba de prótons + bismuto + 2 antibióticos = quadruplicação da terapia.