A cirurgia de reparação craniana precoce não é, por enquanto, adequada

  Sou frequentemente consultado por pacientes sobre a cirurgia de reparação precoce do crânio, que é altamente recomendada por alguns médicos. A minha opinião pessoal é que a reparação craniana precoce não deve ser promovida por enquanto, uma vez que ainda existe uma grande divergência de opinião na comunidade académica internacional sobre esta questão. A cranioplastia precoce refere-se à cranioplastia no prazo de 2 meses ou mesmo 1 mês após a craniotomia.  Embora alguns estudos tenham demonstrado que não há diferença nas taxas de complicação e infecção pós-operatória entre a cranioplastia precoce e a tardia. Por exemplo, um artigo de 2011 no NEUROSURGERY do Dr Sanjay Yadla da Thomas Jefferson University, EUA, sugere que não há diferença nas taxas de infecção entre a reparação craniana precoce (<3 meses) e tardia (>3 meses) após a craniotomia.  Contudo, vários estudos de regressão internacional recentemente publicados desencorajaram a reparação craniana precoce (<2 meses).  Por exemplo, um estudo do Dr Patrick Schuss do Johann Wolfgang Goethe-University em Frankfurt, Alemanha, publicado em Abril de 2012 na revista JOURNAL OF NEUROTRAUMA, mostrou que a taxa de complicações para a reparação craniana precoce (<2 meses) era significativamente mais elevada do que para a reparação craniana tardia (>2 meses). A cirurgia de reparação craniana (>2 meses) era significativamente mais comum do que a cirurgia de reparação craniana tardia (>2 meses).  Por exemplo, um estudo do Dr Brian Ragel da Universidade de Oregon Health & Science, publicado na revista J Neurosurg em Janeiro de 2013, mostrou que a taxa de complicações era significativamente mais elevada em pacientes que foram submetidos a craniotomia no início (<10 semanas, aproximadamente 2,5 meses) após a craniotomia para acidentes cerebrovasculares. A taxa de complicações é significativamente maior nos pacientes que se submetem a craniotomia para acidentes cerebrovasculares nas fases iniciais (<10 semanas, aproximadamente 2½ meses) do que nos que se submetem a reparação craniana nas fases finais (>10 semanas).  Na minha opinião, prefiro a prática convencional de realizar a reparação craniana 3-6 meses após a craniotomia, dependendo das circunstâncias do paciente.