Uma hérnia discal lombar comprime e estimula as raízes nervosas adjacentes, provocando isquémia e hipoxia que produzem edema inflamatório nas raízes nervosas, resultando em dor na área inervada correspondente. Se o tratamento não for atempado e os factores de compressão persistentes não forem removidos, as raízes nervosas atrofiam, provocando a perda da função sensório-motora na área inervada correspondente, resultando em dormência sensorial nas pernas e e deficiência motora. Alguns doentes nem sequer sentem dor na região lombar e nas pernas, mas sim dormência sensorial direta ou fraqueza ao andar numa ou em ambas as pernas. A minha vizinha anda há dois anos com inchaço e dor numa perna e sempre que anda cerca de 200 metros tem de se sentar ou agachar para descansar antes de poder continuar a andar. De facto, esta situação deve-se a uma hérnia discal que provoca uma diminuição do volume do canal espinal onde se encontram os nervos, o que provoca congestão, edema e inflamação das raízes nervosas sob pressão. Ao caminhar, o plexo venoso obstruído no canal espinal expande-se gradualmente, resultando numa redução adicional do volume do canal espinal, o que aumenta a pressão sobre as raízes nervosas, resultando num aumento da dormência e do inchaço nas pernas. No entanto, ao agachar-se ou sentar-se por alguns momentos, o volume do canal espinal pode expandir-se ligeiramente e os sintomas podem ser aliviados ou desaparecer rapidamente, permitindo ao doente continuar a andar e reaparecer após um período de caminhada. Como a claudicação ocorre de forma intermitente durante este processo, chama-se claudicação intermitente e é uma das manifestações típicas da estenose espinal. Se estes sintomas ocorrerem, é importante consultar um cirurgião da coluna vertebral o mais rapidamente possível para um exame e tratamento adequado.