Princípios de ortopedia das deformações dos membros

Uma forma de examinar a relação entre a neuropatia e os problemas músculo-esqueléticos é considerar a neuropatia central como a lesão primária e as alterações no sistema músculo-esquelético como secundárias. –As lesões primárias são devidas a danos no sistema nervoso central, resultando em perda do controlo autonómico, equilíbrio anormal, disfunção do sistema cónico (espasticidade) e disfunção extrapiramidal (coreia, ataxia e distonia). O tratamento neurocirúrgico e a medicação são principalmente direccionados para o alívio da espasticidade. –Os problemas secundários referem-se a várias deformações que ocorrem durante o crescimento e o desenvolvimento. Incluem contraturas musculares e deformações esqueléticas (subluxação e luxação total da anca, deformações de torção femoral/tibial e deformações do pé). O tratamento inclui exercícios de tração muscular, terapia com aparelhos, gesso, talas e cirurgia ortopédica. Quase todas as crianças com hemiplegia conseguem andar de forma autónoma (sem ajuda) por volta de um ano e meio de idade. O objetivo do tratamento dos problemas dos membros inferiores é melhorar a eficiência da marcha. Os problemas dos membros superiores tendem a ser mais graves do que os problemas dos membros inferiores e algumas crianças conseguem melhorar a sua função e/ou aparência através de cirurgia. –As deformidades dos membros superiores que são adequadas para tratamento cirúrgico são observadas principalmente em crianças com hemiplegia. Em primeiro lugar, é feita uma avaliação exaustiva da deformidade e a criança adequada é selecionada para cirurgia. Uma percentagem significativa de crianças apresenta défices sensoriais e uma função motora anormal (fraco controlo voluntário, etc.). O grau de limitação da vida diária está relacionado com a sensibilidade dos nervos sensoriais, o nível da função motora, a contratura do antebraço (pronador redondo) ou a largura do espaço entre os dedos e a forte motivação da criança para um movimento ativo.