A gastrite atrófica com hiperplasia heterogénea é uma importante lesão pré-cancerígena do estômago

  As lesões pré-cancerosas são um conceito patológico que se refere a uma categoria de alterações histológicas que antecedem o desenvolvimento de tumores cancerosos propensos à carcinogénese.  A carcinogénese gástrica é um processo multifactorial e multifásico.  Correa propõe que a evolução da mucosa gástrica normal – gastrite superficial – gastrite atrófica – metaplasia epitelial intestinal – hiperplasia heterogénea – cancro gástrico tenha sido reconhecida pela maioria dos especialistas no país e no estrangeiro.  Em 1978, a Organização Mundial de Saúde definiu a metaplasia epitelial intestinal e a hiperplasia heterogénea no contexto da gastrite atrófica como lesões pré-cancerosas do cancro gástrico.  Após duas reuniões em Houston e Padova em 1998, especialistas em gastroenterologia e patologia chegaram a um consenso de que as lesões pré-cancerosas do estômago são definidas como gastrite atrófica com hiperplasia intestinal incompleta e/ou hiperplasia atípica moderada a grave.  Contudo, dados recentes mostraram que a encenação da enterotiperplasia tem um valor limitado na previsão do cancro gástrico, enquanto que é dada maior ênfase à extensão da enterotiperplasia. Existe agora consenso de que a hiperplasia heterogénea (neoplasia intra-epitelial) é uma importante lesão pré-cancerígena do estômago, e reconhece-se que à medida que o grau de hiperplasia heterogénea aumenta, aumenta também a taxa de carcinogénese.  Estudos demonstraram que: a taxa de cancro para hiperplasia heterogénea ligeira é de 2,27%, para hiperplasia grave é de 25,00%, com moderada no meio; o risco relativo de cancro para hiperplasia heterogénea ligeira é de 1,97, e para hiperplasia heterogénea moderada e grave o risco relativo é até 26 e 132 vezes superior ao normal, respectivamente.