Dores devidas a perturbações da coluna lombar

A dor que sentimos é, de facto, uma resposta a sinais que são transmitidos através do corpo. Estes surgem a partir da fonte da dor, por exemplo, uma dor lombar que viaja através da medula espinal até ao cérebro, o qual produz a chamada sensação de dor. Diferentes tipos de dor Algumas dores são neurogénicas e superficiais, enquanto outras são profundas. É importante distinguir entre os tipos de dor, uma vez que os diferentes tipos de dor têm tratamentos diferentes. A dor neurogénica é causada por danos no tecido nervoso e é geralmente grave ou lancinante, como a “dor de compressão da raiz nervosa”. A dor profunda é causada por uma lesão ou doença fora do sistema nervoso. Ao contrário da dor neurogénica, que se assemelha a um traumatismo grave, esta dor é uma dor ou pressão constante e surda, como a “dor da artrite”. Dor lombar crónica e aguda A dor lombar crónica apresenta-se geralmente como uma dor profunda, dolorosa, baça ou aguda numa zona da região lombar, que pode também descer pela perna. Os doentes podem sentir fraqueza, formigueiro, ardor ou picadas de agulhas nas pernas. As actividades diárias podem, por vezes, ser difíceis ou mesmo impossíveis para as pessoas com dor lombar crónica. Por exemplo, podem não ser capazes de trabalhar corretamente, mesmo em tarefas não manuais. A lombalgia crónica dura muito tempo e não pode ser aliviada por um tratamento normal. A causa da dor pode ser um traumatismo de longa data que já sarou, ou pode ser um fator persistente, como uma lesão nervosa ou artrite. A dor lombar aguda é geralmente aguda ou surda na região lombar e é mais grave em determinadas áreas, como os lados esquerdo e direito das costas, a região central das costas ou a parte inferior das costas. A dor lombar aguda ocorre de forma intermitente, mas é frequente e varia de intensidade. A lombalgia aguda pode, por vezes, ser causada por traumatismos ou lesões nas costas, mas na maioria das vezes não existe uma causa óbvia. Os doentes com lombalgia aguda, mesmo em casos graves, normalmente melhoram significativamente ou recuperam completamente no prazo de 6-8 semanas. Cerca de metade de todas as dores lombares são agudas devido a traumatismos. Contusões, rupturas musculares e deformações articulares causadas por traumatismos nas costas podem causar dor aguda. Os doentes com estas lesões sentem dor, espasmos musculares e mobilidade reduzida. O tratamento a curto prazo é geralmente eficaz. Com fisioterapia, tração e exercícios preventivos, estes doentes recuperam normalmente de forma completa em poucas semanas. Por vezes, estes doentes podem voltar a lesionar-se e, nesse caso, terão de se submeter novamente a um tratamento de curta duração. Os doentes com dor que ocorre mais de 3 vezes por ano, ou com dor lombar de longa duração que interfere com as actividades diárias (por exemplo, dormir, sentar, estar de pé, andar, dobrar-se, andar a cavalo ou conduzir), são propensos a desenvolver dor crónica. A lombalgia mecânica é também uma forma aguda de lombalgia, que pode ser exacerbada pelo exercício ou pela tosse e aliviada pelo repouso. Normalmente, a lombalgia mecânica é causada por uma hérnia discal ou fratura de stress e, neste caso, a dor é sentida quando a coluna vertebral se desloca para a frente. Além disso, a postura, a tosse, os espirros e os movimentos podem ter um efeito na dor com origem na coluna vertebral. Se a dor lombar aguda for grave e se estender a ambas as pernas, é provável que seja causada por uma doença do disco lombar, que é a causa mais comum de outro tipo de dor aguda – a ciática verdadeira. Diagnóstico da dor lombar aguda Radiografia: método de imagiologia indolor e não invasivo que utiliza negativos fotográficos para absorver os raios electromagnéticos, que têm comprimentos de onda extremamente curtos, inferiores a 100 angstroms, e podem penetrar em materiais sólidos de diferentes espessuras e atravessar o corpo. Estas imagens são normalmente designadas por raios X ou fotografias e são utilizadas para o diagnóstico e monitorização de várias doenças. TAC (ou tomografia computorizada): Outra técnica de imagiologia indolor que utiliza um computador para integrar os raios X de diferentes eixos e criar uma imagem tridimensional da estrutura do corpo. Em comparação com todas as técnicas de imagiologia atualmente disponíveis, a TAC é a melhor para os ossos, sangue e tecidos moles. MRI (Magnetic Resonance Imaging): Técnica não invasiva de imagiologia da coluna vertebral em que um íman é rodado em torno do corpo para excitar átomos de hidrogénio no corpo e um scanner detecta a energia produzida por estes átomos excitados. A tecnologia de RMN permite uma melhor representação dos detalhes da estrutura da coluna vertebral, uma vez que o principal componente do corpo é a água, que tem dois átomos de hidrogénio. Este método de exame é muito útil para o diagnóstico de doenças da coluna vertebral. Radiografias da medula espinal (raios X): Para este exame, é injetado um meio de contraste de raios X na cavidade dural que envolve a medula espinal e os nervos, sendo a coluna vertebral visualizada. Esta técnica permite que o radiologista visualize as raízes nervosas e detecte quaisquer anomalias no canal espinal, o que pode ajudar no diagnóstico de doenças da coluna vertebral, como a compressão de nervos ou a rutura de discos. Cintilografia óssea: consiste na injeção de uma pequena quantidade de marcador de contraste por via intravenosa e na realização de um scanner da zona em questão, que detecta estes marcadores concentrados em zonas de elevada densidade óssea. A cintilografia óssea deve ser utilizada quando há suspeita de tumores, infecções ou pequenas fracturas que podem causar um aumento da densidade óssea. As cintigrafias ósseas não substituem os exames acima referidos, mas podem servir de base para excluir algumas doenças graves.