O estudo incluiu mais cancros do esófago e cancros gastro-esofágicos combinados e a proporção de cirurgia radical padrão D2 na Europa não é elevada e não deve ser seguida cegamente. No Japão e na Coreia, não há muitas pessoas que tenham sido efetivamente submetidas à NAC e esta ainda se encontra em fase de investigação. O Professor Gomes, do Brasil, salientou que a incidência do cancro da junção gastro-esofágica é elevada no Brasil e que os estudos sobre a NAC não foram realizados em profundidade, uma vez que o diagnóstico é, na sua maioria, avançado. Por conseguinte, a NAC para o cancro gástrico pode ser utilizada em alguns cancros gástricos localmente progressivos, mas não é recomendada como agente único e a estratégia específica merece ser estudada. O valor da NAC do ponto de vista da medicina interna pode ser confirmado de quatro formas: para melhorar as taxas de ressecção radical através do downstaging do tumor, para eliminar micrometástases, para informar a terapêutica adjuvante pós-operatória como um teste de sensibilidade aos medicamentos in vivo e para ser melhor tolerada pelos doentes do que a quimioterapia pós-operatória. O estudo europeu MAGIC demonstrou um benefício significativo para os doentes tratados com a modalidade CSC, com um aumento de 13% na sobrevivência a 5 anos e um aumento de 4 meses na sobrevivência mediana. O estudo também sugere que os doentes com estádio IIIB e IV (M0) têm uma taxa mais elevada de ressecção R0 com terapia neoadjuvante. O estudo doméstico RESOLVE teve como objetivo validar ainda mais o valor da NAC, comparando o modelo CSC com o modelo SC para o cancro gástrico localmente progressivo. Após o tratamento neoadjuvante, alguns doentes com tumores em regressão podem ser submetidos a ressecção cirúrgica. Assim, como devem ser avaliados os resultados dos testes de sensibilidade aos medicamentos in vivo? O estudo EORTC-40954 utilizou a endoscopia combinada com a TC para determinar a eficácia e classificou-a em RC, RP e DP, proporcionando uma nova forma de avaliar a eficácia da quimioterapia nos órgãos cavitários. Do ponto de vista cirúrgico, a NAC tem duas preocupações – indicações para aplicação e critérios para avaliação da eficácia. As indicações para a NAC variam consoante os países: ≥T2N+ nos EUA; localmente progressiva, T3-4 e N+ na China; e alto risco de recorrência, cIIIA-IIIC e Bowman III/IV no Japão. As diferenças entre o Oriente e o Ocidente centram-se na gestão diferente do T2N+. Espera-se agora que os resultados de vários estudos controlados e aleatorizados forneçam mais provas relativamente à eficácia da NAC. Em termos de segurança, a inflamação vascular induzida pela quimioterapia e o edema aumentam o risco de complicações pós-operatórias, e o equilíbrio entre segurança e eficácia deve ser determinado com exatidão.