Ser portador de hepatite B já é um infortúnio, mas ter uma doença imunitária reumática (por exemplo, reumatóide, espondilite anquilosante, etc.) ou uma doença cutânea crónica específica (por exemplo, psoríase, lúpus eritematoso, pênfigo, etc.) pode fazer-nos sentir como se estivéssemos numa situação má. E o que acontece quando um reumatologista ou dermatologista, confinado à sua própria especialidade, não sabe que é portador de hepatite B antes de lhe dar glucocorticóides (prednisona, etc.) ou medicamentos citotóxicos (tretinoína, etc.) ou se sabe mas não o leva suficientemente a sério? Digo-lhe que a tolerância imunitária à hepatite B é muitas vezes quebrada e leva à hepatite, falência hepática e mesmo à morte. Uma vez conheci um doente que foi hospitalizado num hospital de dermatologia em Setembro passado com pênfigo (uma doença de pele rara) e tomou comprimidos de prednisona durante um longo período de tempo, o que colocou o pênfigo sob controlo, mas este ano foi internado no nosso departamento com insuficiência hepática. O estado do doente foi controlado com tratamento agressivo. Contudo, duas grandes doenças em menos de um ano teriam sido devastadoras para uma família comum. Após tratamento com glucocorticóides ou medicamentos citotóxicos, cerca de 20% a 50% dos doentes com hepatite B com antigénios de superfície podem ter graus variáveis de carga elevada de HBV-DNA, alguns doentes podem sofrer de transaminases e icterícia elevadas, e em casos graves, insuficiência hepática fulminante ou mesmo morte. Independentemente da carga de HBV-DNA em portadores de hepatite B, o tratamento profiláctico com análogos nucleósidos (lamivudina, entecavir, etc.) deve ser dado 2-4 semanas antes do uso de glicocorticóides ou drogas citotóxicas. Tal como os idosos devem tomar comprimidos de cálcio se tiverem de tomar prednisona durante muito tempo para uma determinada doença (a prednisona acelera a perda de cálcio), ambos fazem parte da prevenção da doença antes de esta ocorrer e a prevenção da doença depois de já ter ocorrido. O exemplo acima também lembra a todos os médicos que nunca nos devemos limitar ao conhecimento da nossa profissão, uma vez que o corpo humano é um todo orgânico e não uma simples combinação de órgãos. Para ser um bom médico, é preciso ter uma visão holística, e é preciso ser conhecedor e proficiente, ou seja, com uma vasta gama de conhecimentos médicos e um profundo conhecimento profissional. Penso que devo continuar a trabalhar arduamente.