A palavra disfagia é de origem grega, com o prefixo dis a significar dificuldade e a palavra phaiga de caule a significar comer. A disfagia, ou dificuldade em engolir, ocorre no início do curso de um AVC. A sua incidência tem sido relatada como elevada até 51%. Em doentes com acidente vascular cerebral, a incidência chega a atingir 81%. O tratamento intervencionista das perturbações da deglutição faz parte do tratamento operacional do AVC. Mecanismos anatómicos e fisiológicos dos movimentos normais de deglutição Existem cinco fases de movimentos de deglutição: 1. Pré-oral: No período pré-oral, o paciente percebe os alimentos através da visão e do olfacto, desenvolve um desejo de comer, prepara-se para comer, e entrega os alimentos à boca usando utensílios, uma chávena ou dedos. 2. preparação oral: O paciente abre totalmente a boca, aceita a massa alimentar e mantém-na na boca, percebe o alimento na boca e prova o sabor e a textura da massa alimentar. No caso de alimentos sólidos, são necessários músculos mastigatórios, movimentos da mandíbula e da bochecha para preparar a massa alimentar de modo a torná-la adequada para a deglutição. Durante esta fase, o palato mole está localizado na parte de trás da língua para parar o fluxo de alimentos ou fluidos para a faringe. 3. fase oral: Na fase oral de deglutição, a massa alimentar preparada é empurrada através da boca em direcção à faringe. Os músculos labial e bucal contraem-se para entregar a massa alimentar para trás, enquanto a língua entra em contacto com o palato duro e empurra a massa alimentar para trás, conduzindo-a através da boca até à base da língua. 4. fase faríngea: Nesta fase de deglutição, os movimentos subsequentes ocorrem rápida e sequencialmente, produzindo um reflexo de mordaça, com o palato mole a levantar-se, fechando a cavidade nasal, fechando as cordas vocais e fechando as vias respiratórias para evitar a desaspiração e a penetração laríngea. A epiglote cobre a abertura da laringe (vestíbulo laríngeo) e isto impede a penetração da massa alimentar na laringe e directamente na fossa piriforme. A laringe inclina-se para cima e para a frente, e o peristaltismo faríngeo espreme a massa alimentar através da faringe inferior em direcção ao músculo cricofaríngeo. O músculo cricofaríngeo está localizado na parte superior do esófago e quando relaxado, a massa alimentar pode passar e entrar no esófago. A fase esofágica começa com a passagem da massa esofágica através do esfíncter cricofaríngeo. O esófago produz uma onda peristáltica sequencial que empurra a massa alimentar através do esófago e do esfíncter esofágico inferior, localizado na extremidade inferior do esófago, depois relaxa, permitindo que a massa alimentar entre no estômago. A conservação dos centros corticais e subcorticais de deglutição controla a parte voluntária dos movimentos de deglutição (a parte sob controlo consciente), especialmente nas fases pré-oral, oral e oral. Os movimentos de deglutição podem ser iniciados consciente ou involuntariamente por reflexo. Os movimentos de deglutição são controlados pelos nervos do cérebro, cujos núcleos se localizam na medula oblonga, e os aferentes nervosos aos núcleos da medula oblonga provêm dos centros corticais, subcorticais.