A população activa actual é frequentemente sedentária, com movimentos articulares limitados e tecidos moles encurtados. Contudo, este movimento articular limitado pode distorcer a biomecânica corporal normal e predispor ao desenvolvimento de distúrbios músculo-esqueléticos. Além disso, estudos têm descoberto que a sessão prolongada é um factor de risco para as perturbações músculo-esqueléticas. Para testar se o exercício muscular pode reduzir a incidência de dores lombares baixas em trabalhadores de escritório, o Professor Charles e outros na Tailândia conduziram um estudo controlado aleatório, cujos resultados foram publicados na recente edição de Eur Spine J. 563 indivíduos (282 no grupo de intervenção e 281 no grupo de controlo) tinham níveis de flexibilidade espinal ou resistência muscular inferiores ao normal. O exercício consistia em alongamento muscular e treino de resistência muscular. Os alongamentos musculares exigiam que os participantes mantivessem os seus músculos (iliopsoas) em extensão durante 30 segundos, duas vezes por dia (10:00 e 14:00 horas). O treino de endurance muscular é concebido para aumentar a resistência dos músculos erector spinae, multifidus, lumbricalis e transversus abdominis. Os participantes foram convidados a contrair repetidamente cada músculo 10 vezes, com 60 segundos de intervalo para cada músculo, duas vezes por semana (quarta-feira e domingo, em casa). 12 meses depois, foram registados indicadores tais como incidência de dores lombares baixas, nível de dor, nível de incapacidade, qualidade de vida e estado de saúde. Os resultados do estudo mostraram que a incidência de dores lombares baixas era de 8,8% e 19,7% nos grupos de intervenção e controlo respectivamente a 1 ano, e a relação de risco indicava que o exercício muscular era eficaz para reduzir a incidência de dores lombares baixas. Contudo, não houve diferenças estatísticas entre os grupos de exercício e de não exercício em termos de incidência, nível de dor, nível de deficiência, qualidade de vida e estado de saúde. Para pacientes com dores lombares crónicas, Shirado O et al. concluíram que a eficácia do exercício dependia da aderência do paciente ao mesmo e mostraram que poucos pacientes eram capazes de manter o exercício, com aproximadamente 31% dos pacientes a fazer alongamentos e 55-57% a fazer treino de resistência. As directrizes clínicas internacionais recomendam terapia de exercício supervisionado para doentes com dores lombares subagudas e crónicas. Há três deficiências deste estudo: 1. a população deste estudo era uma população saudável com flexibilidade espinal ou resistência muscular inferior ao normal, e os resultados não são aplicáveis a outras populações; 2. o estudo não foi cego à alocação do tratamento, mas a terapia de exercício é difícil de cegar à participação. Contudo, mais de dois cenários de ensaio são igualmente plausíveis e as intervenções de exercício podem ser utilizadas para reduzir o enviesamento das expectativas dos pacientes. 3, Os factores biopsicológicos e os indicadores de diagnóstico de lombalgia são subjectivos e afectam a exactidão dos resultados. Os resultados deste estudo sugerem que o alongamento muscular e o exercício de resistência podem reduzir a incidência de dores lombares baixas em trabalhadores de escritório com flexibilidade ou resistência muscular inferior ao normal.