A obstipação é muito comum nas crianças e pode ser caracterizada pela frequência reduzida dos movimentos intestinais (≤2/semana); fezes secas e duras; movimentos intestinais difíceis (extenuantes, demorados); movimentos intestinais dolorosos; e uma sensação de movimentos intestinais incompletos. A prevalência da obstipação em crianças foi relatada como sendo de 0,7% – 29,6% (mediana 12%), dos quais 90% é obstipação funcional. O diagnóstico da obstipação funcional em crianças baseia-se principalmente nos critérios de Roma III. A Sociedade Norte-Americana de Gastroenterologia e Hepatologia Pediátrica (NAPCAN) desenvolveu directrizes para a gestão da obstipação funcional em crianças em 1999, que foram actualizadas em 2006 e novamente em 2014; o National Institute for Health and Clinical Excellence (NICE) no Reino Unido As principais estratégias de tratamento da obstipação funcional em crianças incluem cuidados primários, farmacoterapia, terapia comportamental, cirurgia e acompanhamento. O tratamento básico baseia-se na educação familiar, modificação alimentar e mudanças de estilo de vida. Envolve beber água suficiente (incluindo água e sumos de fruta nos alimentos), uma dieta equilibrada (encorajando a amamentação e aumentando a ingestão de fibras alimentares), exercício apropriado e treino de casa de banho razoável (5 – 10 minutos por dia após cada refeição para crianças com mais de 4 anos de idade). Se o tratamento básico não funcionar durante 2 semanas, iniciar a medicação. A medicação é preferida aos laxantes osmóticos orais (polietilenoglicol ou lactulose) ou laxantes rectos, que são administrados continuamente.3 O tratamento cirúrgico é indicado para a obstipação refractária, como o enema catártico (estoma ceco) ou a sigmoidectomia se a medicação for ineficaz, a obstipação crónica ou a laxação manual for necessária. O tratamento da obstipação é a longo prazo e geralmente recorrente, e os pais podem procurar tratamento em mais de um hospital, tornando as visitas de acompanhamento particularmente importantes. A educação familiar e a promoção da saúde devem ser enfatizadas, com orientação sobre uma dieta e estilo de vida sensatos e o uso de terapias não-farmacológicas. É também importante prestar atenção aos sinais e sintomas de aviso da obstipação e corrigir o diagnóstico em tempo útil. Além disso, a colaboração multidisciplinar deve ser reforçada para melhorar o diagnóstico e o tratamento da obstipação funcional em crianças.