Não-fumadores de alto risco: rastrear ou não rastrear o cancro do pulmão?

  O cancro do pulmão não fumador é uma das dez causas mais comuns de morte por cancro nos Estados Unidos e em todo o mundo, mas os benefícios do rastreio do cancro do pulmão em populações não fumadoras de alto risco são inconclusivos. O erudito americano Haaf utilizou o modelo de microssimulação do rastreio (MISCAN) para analisar o risco médio de cancro do pulmão em populações não fumadoras e o risco relativo (RR) de diferentes coortes. Os coortes foram avaliados segundo os critérios da U.S. Preventive Services Task Force (USPSTF), utilizando como controlo a despistagem do cancro do pulmão do tabagismo.  Os resultados mostraram que a população não fumadora teve uma maior redução na mortalidade relacionada com o cancro do pulmão (37% vs 32%), mas menos anos de vida benéfica por morte por cancro do pulmão evitado (10,4 vs 11,9) e uma maior taxa de diagnóstico incorrecto de cancro (9,6% vs 8,4%) do que a coorte incluída no USPSTF. Como a população não fumadora era mais velha na altura do diagnóstico do cancro do pulmão, 6.162 pacientes não fumadores (risco médio 151) precisavam de ser rastreados para cada morte por cancro do pulmão evitado, enquanto a coorte de inclusão USPSTF (pacientes fumadores) precisava de rastrear apenas 353, com um risco relativo de 35. O estudo concluiu que, com base nas directrizes USPSTF e pesando os benefícios e danos do rastreio do cancro do pulmão, o risco relativo (RR) para o rastreio do cancro do pulmão na população não-fumadora em comparação com a população fumadora era entre 15 e A eficácia do rastreio do cancro do pulmão na população não-fumadora entre 15 e 35 é semelhante e recomendada. Contudo, para a maioria dos não fumadores, o benefício da despistagem do cancro do pulmão é modesto.