A relação entre a anatomia, compressão mecânica e sintomas clínicos das raízes nervosas lombossacrais

  As raízes motoras e sensoriais do nervo lombossacral passam cada uma através da dura-máter e são envoltas em bainhas separadas da dura-máter, que se encontram na extremidade distal do gânglio raiz posterior do nervo espinal para formar o nervo espinal.  As raízes nervosas têm duas características anatómicas: em primeiro lugar, as raízes nervosas não têm uma membrana nervosa externa ou uma membrana do feixe nervoso, o que as torna menos elásticas do que os nervos periféricos e sem função de barreira química, e a sua capacidade de suportar tracção, compressão e estimulação química é reduzida; em segundo lugar, o fornecimento de sangue às raízes nervosas carece de dois conjuntos de redes vasculares, o fornecimento de sangue proximal vem dos vasos vertebrais e o fornecimento de sangue distal vem dos ramos intermédios das artérias segmentares, e os dois sistemas coincidem no 1/3 externo das raízes nervosas. Os dois sistemas coincidem no 1/3 exterior da raiz nervosa, onde a rede vascular está subdesenvolvida e menos tolerante à isquemia do que os nervos periféricos, e propensa à inflamação e edema. Como resultado, a raiz nervosa é mais susceptível à síndrome do impacto do que os nervos periféricos e a cauda equina no canal espinal central.  Como as raízes nervosas não têm a bainha protectora do nervo periférico, têm um efeito mecânico directo sobre o nervo e um efeito indirecto ao prejudicarem o fornecimento de sangue ao nervo. Ficou demonstrado que a isquemia tem um efeito maior na condução nervosa do que a própria pressão.  A irritação crónica ou ligeira compressão mecânica das raízes nervosas no canal raquidiano provoca a estase dos micro-vênulos e capilares, provocando a acumulação de metabolitos no tecido nervoso que podem levar à dor e dormência, clinicamente dominada pela dor radiante.  A compressão prolongada ou compressão tremenda causa danos crónicos na raiz do nervo, edema e fibrose secundária dentro do nervo, resultando em perda significativa da função da raiz do nervo, razão pela qual a recuperação é lenta ou mesmo difícil em alguns pacientes após a compressão da raiz do nervo ser levantada.